Este é o diário virtual de Jorge Bengochea utilizado para tratar de temas amenos, saudáveis e pessoais. É uma trégua entre os embates no enfrentamento das múltiplas mazelas dos ineficientes sistemas político, jurídico, judicial, social, educacional, de saúde e de ordem pública vigentes no Brasil.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
JEITINHO CARIOCA
Sucesso na internet, vídeo que retrata o 'jeitinho carioca' pode ter continuação . Hábitos e situações vividas por cariocas são retratados com bom humor em vídeo que se tornou fenômeno das redes sociais
Matheus Carrera
O GLOBO, 27/06/12 - 11h27
RIO - Quem não é do Rio pode achar estranho ouvir alguém sugerir um programa com um “Partiu?” ou aceitar um convite com um “Já é”, mas expressões como estas fazem parte do vocabulário carioca assim como o habitual “Vamos marcar alguma coisa” quando se reencontra um conhecido - ou desconhecido - e o “Imagina na Copa”, cada vez mais presente em queixas sobre o trânsito ou o metrô lotado.
Inspirado no curta “Shit New Yorkers say” (algo como “Besteiras que os nova-iorquinos dizem”), o vídeo “O jeitinho carioca” retrata alguns destes hábitos e expressões que estão nas ruas, nos bares, na praia e em todos os cantos de uma cidade onde um dia de 20 graus é motivo para tirar o cachecol e os agasalhos pesados do armário.
A cineasta Mariana Januzzi, uma das realizadoras do projeto, explica que a ideia surgiu por causa dos grandes eventos de que a cidade foi ou será sede, como a Rio+20 e a Copa do Mundo de 2014.
- Fizemos uma lista da nossa cabeça, com coisas que nós mesmos fazemos ou falamos. Vimos que estávamos no caminho certo quando consultamos nossos amigos e até mesmo os atores, que concordaram com a lista e acrescentaram outras situações – explica Mariana. - Achamos que o vídeo se encaixava no momento que a cidade vive, com tantos eventos. A gente quis fazer algo bem humorado e com belas imagens.
A ideia deu certo. Realizado por duas produtoras da cidade, a 2Olhares e a Makulelê, o vídeo foi postado no YouTube na noite da segunda-feira e, em menos de uma hora, teve o número de visualizações praticamente duplicado de 5,3 mil para mais de 11 mil na tarde de terça-feira. Mariana confessa que o curta foi pensado para ser um viral, mas diz que não esperava que o sucesso fosse tanto. Ela acredita que isso se explica pela identificação com os personagens.
- Todo mundo tem um amigo que se parece com algum deles – brinca.
Já o antropólogo Everardo Rocha, da PUC-Rio, acredita que a grande repercussão tem como causa o fato de o material mostrar uma visão simpática e descontraída não somente da cidade e dos cariocas, mas também dos brasileiros.
- É um jeito leve de viver a vida e que pode ser visto em qualquer cidade do país. Todos nós já vivemos alguma daquelas situações - diz.
Para Rocha, um dos méritos do curta é ir além dos clichês e estereótipos.
- O roteiro mostra uma certa incoerência típica do carioca. Para quem vive na cidade, por exemplo, Niterói parece ser em outro estado, mesmo sendo ao lado. Você diz “Passa lá em casa” para um amigo simplesmente para ser simpático, sem assumir um compromisso, ou tolera um flanelinha, mas acaba tentando driblá-lo. O carioca tenta ser mais esperto que o outro para evitar o conflito. É uma cidade em que a paisagem é alegre e isso contribui para esse “jeitinho” - explica o antropólogo.
E como a lista de situações e expressões é grande, a equipe já está pensando em lançar um “O jeitinho carioca 2”.
- Vamos aproveitar bem essa repercussão, mas como muita coisa ficou de fora, temos material para um segundo vídeo. Mas estamos pensando em algo mais polêmico, mais focado no comportamento, mas sempre inspirado no nosso jeito de ser – adianta Mariana.
Partiu, então.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
MELHOR DOS TRÊS: iPad, Xoom 2 ou PlayBook?
Comparamos a experiência de usuário nos tablets de Apple, Motorola e RIM, cada qual com um sistema operacional
André Machado
O GLOBO, 24/06/12 - 23h24
PlayBook: Processador de 1GHz, tela de 7”, espessura de 10mm, câmera de 5 megapixels e vídeo de 1080p. A capacidade de armazenamento vai de 16GB a 64GB, com Wi-Fi. Conexão com o PC via USB/Blackberry Device Manager. Os preços vão de R$ 664 a R$ 1.894. STEVE MARCUS / REUTERS
RIO - Afinal, qual é a melhor experiência de usuário num tablet? Para conferir, O GLOBO fez uma comparação entre três dos principais tablets do mercado — o novo iPad, da Apple, o Xoom 2, da Motorola, e o PlayBook, da RIM (BlackBerry). A principal batalha, no entanto, é entre os sistemas iOS e Android, que têm suas próprias idiossincrasias, por assim dizer.
— O iOS (usado no iPad) é uma experiência transparente para o usuário, pois suas versões são compatíveis com as anteriores e isso facilita muito a usabilidade — diz Jorge Monteiro, diretor executivo da Superfones, empresa de soluções para operadoras de telefonia. — Já o Android (usado pelo Xoom) é interessante para quem usa as ferramentas da Google, pois se integra bem com elas.
Em termos de uso e simplicidade, o iPad ainda é o campeão. Sua inicialização é mais rápida que a dos outros dois, e ele já apresenta de cara a tela principal com os aplicativos —coisa que o Android não faz, pois nele vem primeiro a tela de home a partir da qual se acessa a dos apps.
A tela do Xoom 2 tem boa definição, e fotos e clipes de vídeo são bem visualizados nele, mas a Retina Display do novo iPad, com seus mais de 3 milhões de pixels, está muito além dos outros dois tablets. E, embora seja ligado num pequeno botão traseiro, o tablet da Apple tem como trunfo seu único botão físico na frente, para o retorno à página de apps após a abertura de qualquer um deles. O Xoom 2 também é ligado na parte posterior e apresenta na frente botões virtuais de voltar, home e janelas de apps.
Se o botão único do iPad é o ápice da simplicidade, o Xoom apresenta uma pequena vantagem aqui porque, quando o viramos para mudar o sentido da tela, os botões, justamente por serem virtuais e não físicos, acompanham a mudança. Ficam sempre embaixo, esteja a tela no sentido horizontal ou vertical.
Já o PlayBook — com um sistema operacional proprietário da RIM, como no Blackberry — tem os botões de ligar e volume em cima, no sentido horizontal (o melhor para usá-lo, já que a tela tem 7 polegadas, contra 10 polegadas dos outros dois). Não há botões no entorno da tela. Ao acessar um aplicativo, o usuário, para voltar à tela anterior, precisa fazer um “swipe” (movimento com os dedos) vertical. A tela do app então se reduz e aparece uma seta para voltar ao menu de programinhas.
Som de alta fidelidadeno tablet da Apple
Em termos de qualidade de som e vídeo, o iPad também ganha dos outros. Visitamos o mesmo vídeo on-line nos três tablets, e a qualidade no da Apple foi superior, com uma ambiência mais forte. Por falar em on-line, a conexão à internet (testada através de uma rede Wi-Fi) se mostrou mais robusta no iPad, mas não fez feio no Xoom 2 nem no PlayBook. O site em que o vídeo foi assistido, no entanto, demorou mais a carregar no sistema do PlayBook. Enquanto o site em questão — propositalmente escolhido por abusar de imagens grandes e multimídia — foi rapidamente adaptado e carregado nas telas de iPad e Xoom 2, no PlayBook levou vários segundos até carregar por completo e deu pequenas travadas durante o vídeo.
— Diga-se de passagem que o sistema do BlackBerry (e do PlayBook), embora tecnicamente seja considerado o mais seguro dos três, tende a ser substituído, especialmente nos ambientes corporativos, pelo Android — vaticina Jorge Monteiro. — Isso porque cada vez mais empresas vêm utilizando as soluções de nuvem da Google.
E os aplicativos?
O iOS é o líder do setor. São 650 mil aplicativos, com mais de 30 bilhões de downloads, contra 466 mil do Android, com 10 bilhões de downloads — apps suportados também no sistema do PlayBook. Mas o que chama a atenção no iPad são os apps de imagem e música. O que não deixa de ser uma tradição no mundo Mac. A chegada do iPhoto com o novo iPad — praticamente um Photoshop sem a complicação do programa da Adobe — deixa os usuários com muita vontade de editar e brincar com fotos, usando apenas os dedos para ativar os inúmeros recursos. E o GarageBand (agora turbinado com instrumentos de orquestra sinfônica) tem uma fidelidade capaz de virar a cabeça de qualquer músico, amador ou não.
Entretanto, os aplicativos Android entregam toda a utilidade das ferramentas Google com um toque — Gmail, Maps, Talk, Google+, Google Play, busca, Latitude etc. A praticidade de fazer tudo on-line atrai.
— O problema do Android é que, dada a quantidade de versões (o sistema tem código aberto), nem sempre é possível mantê-lo atualizado corretamente — ressalva Monteiro.
Para Adriano Rayol, diretor da Uplay Mobile, que desenvolve apps móveis, o ecossistema Android é mais nebuloso para os programadores justamente pelo mesmo motivo.
— O iOS é mais robusto, enquanto portar aplicativos para Android nem sempre funciona em todas as versões — diz.
As câmeras dos três tablets são de 5 megapixels, e de modo geral intuitivas no uso para fotografias e vídeos. Mas o iPad e o PlayBook gravam vídeos em 1080p, contra 720p do Xoom 2.
Conexão com PC: Xoom 2 e PlayBook se destacam
É no quesito conexão com o computador que o iPad perde, porque necessita do iTunes pré-instalado no PC. Há muito mais usuários de Windows que de Mac, e quem não tem ou não quer ter iTunes no desktop se limitará a importar fotos e vídeos do iPad para o desktop. Não é possível copiar arquivos diretamente para o tablet sem a intermediação do software da Apple.
Já o PlayBook, ao ser conectado à porta USB pela primeira vez, instala o BlackBerrry Device Manager e depois disso é lido como um pen drive comum. Bem mais simples e transparente. E o Xoom 2 instala o MotoCast, função da Motorola que permite a sincronização de seu tablet com o PC via Wi-Fi. Arquivos colocados nas pastas do MotoCast no PC são automaticamente vistos no Xoom. Inclusive, em nosso teste, o tablet detectou automaticamente o MotoCast que fora instalado anteriormente a partir de um smartphone Razr da nova geração, mostrando os arquivos sincronizados naquela ocasião.
No gerenciamento de e-mails e mensagens, os tablets se comportaram bem. Destaque para a combinação inteligente de mensagens de várias contas (Gmail, Facebook, Twitter e LinkedIN) no PlayBook, cujo calendário se conecta aos aniversários dos contatos na rede de Mark Zuckerberg.
No cômputo geral, a experiência de usuário mais simples e direta continua sendo a do iPad, embora as interfaces com o Windows sejam melhores no Xoom 2 e no PlayBook. Alguns usuários mergulharam tão a fundo no universo iPad que não querem mais saber do PC. É o caso de Adriano Rayol, da Uplay.
— Eu nem ligo mais o PC de casa. Fico no iPad direto, até na cama e mesmo na cozinha. Como gosto de cozinhar, muitas vezes ponho um vídeo do chef Jamie Oliver e faço as receitas.
André Machado
O GLOBO, 24/06/12 - 23h24
PlayBook: Processador de 1GHz, tela de 7”, espessura de 10mm, câmera de 5 megapixels e vídeo de 1080p. A capacidade de armazenamento vai de 16GB a 64GB, com Wi-Fi. Conexão com o PC via USB/Blackberry Device Manager. Os preços vão de R$ 664 a R$ 1.894. STEVE MARCUS / REUTERS
RIO - Afinal, qual é a melhor experiência de usuário num tablet? Para conferir, O GLOBO fez uma comparação entre três dos principais tablets do mercado — o novo iPad, da Apple, o Xoom 2, da Motorola, e o PlayBook, da RIM (BlackBerry). A principal batalha, no entanto, é entre os sistemas iOS e Android, que têm suas próprias idiossincrasias, por assim dizer.
— O iOS (usado no iPad) é uma experiência transparente para o usuário, pois suas versões são compatíveis com as anteriores e isso facilita muito a usabilidade — diz Jorge Monteiro, diretor executivo da Superfones, empresa de soluções para operadoras de telefonia. — Já o Android (usado pelo Xoom) é interessante para quem usa as ferramentas da Google, pois se integra bem com elas.
Em termos de uso e simplicidade, o iPad ainda é o campeão. Sua inicialização é mais rápida que a dos outros dois, e ele já apresenta de cara a tela principal com os aplicativos —coisa que o Android não faz, pois nele vem primeiro a tela de home a partir da qual se acessa a dos apps.
A tela do Xoom 2 tem boa definição, e fotos e clipes de vídeo são bem visualizados nele, mas a Retina Display do novo iPad, com seus mais de 3 milhões de pixels, está muito além dos outros dois tablets. E, embora seja ligado num pequeno botão traseiro, o tablet da Apple tem como trunfo seu único botão físico na frente, para o retorno à página de apps após a abertura de qualquer um deles. O Xoom 2 também é ligado na parte posterior e apresenta na frente botões virtuais de voltar, home e janelas de apps.
Se o botão único do iPad é o ápice da simplicidade, o Xoom apresenta uma pequena vantagem aqui porque, quando o viramos para mudar o sentido da tela, os botões, justamente por serem virtuais e não físicos, acompanham a mudança. Ficam sempre embaixo, esteja a tela no sentido horizontal ou vertical.
Já o PlayBook — com um sistema operacional proprietário da RIM, como no Blackberry — tem os botões de ligar e volume em cima, no sentido horizontal (o melhor para usá-lo, já que a tela tem 7 polegadas, contra 10 polegadas dos outros dois). Não há botões no entorno da tela. Ao acessar um aplicativo, o usuário, para voltar à tela anterior, precisa fazer um “swipe” (movimento com os dedos) vertical. A tela do app então se reduz e aparece uma seta para voltar ao menu de programinhas.
Som de alta fidelidadeno tablet da Apple
Em termos de qualidade de som e vídeo, o iPad também ganha dos outros. Visitamos o mesmo vídeo on-line nos três tablets, e a qualidade no da Apple foi superior, com uma ambiência mais forte. Por falar em on-line, a conexão à internet (testada através de uma rede Wi-Fi) se mostrou mais robusta no iPad, mas não fez feio no Xoom 2 nem no PlayBook. O site em que o vídeo foi assistido, no entanto, demorou mais a carregar no sistema do PlayBook. Enquanto o site em questão — propositalmente escolhido por abusar de imagens grandes e multimídia — foi rapidamente adaptado e carregado nas telas de iPad e Xoom 2, no PlayBook levou vários segundos até carregar por completo e deu pequenas travadas durante o vídeo.
— Diga-se de passagem que o sistema do BlackBerry (e do PlayBook), embora tecnicamente seja considerado o mais seguro dos três, tende a ser substituído, especialmente nos ambientes corporativos, pelo Android — vaticina Jorge Monteiro. — Isso porque cada vez mais empresas vêm utilizando as soluções de nuvem da Google.
E os aplicativos?
O iOS é o líder do setor. São 650 mil aplicativos, com mais de 30 bilhões de downloads, contra 466 mil do Android, com 10 bilhões de downloads — apps suportados também no sistema do PlayBook. Mas o que chama a atenção no iPad são os apps de imagem e música. O que não deixa de ser uma tradição no mundo Mac. A chegada do iPhoto com o novo iPad — praticamente um Photoshop sem a complicação do programa da Adobe — deixa os usuários com muita vontade de editar e brincar com fotos, usando apenas os dedos para ativar os inúmeros recursos. E o GarageBand (agora turbinado com instrumentos de orquestra sinfônica) tem uma fidelidade capaz de virar a cabeça de qualquer músico, amador ou não.
Entretanto, os aplicativos Android entregam toda a utilidade das ferramentas Google com um toque — Gmail, Maps, Talk, Google+, Google Play, busca, Latitude etc. A praticidade de fazer tudo on-line atrai.
— O problema do Android é que, dada a quantidade de versões (o sistema tem código aberto), nem sempre é possível mantê-lo atualizado corretamente — ressalva Monteiro.
Para Adriano Rayol, diretor da Uplay Mobile, que desenvolve apps móveis, o ecossistema Android é mais nebuloso para os programadores justamente pelo mesmo motivo.
— O iOS é mais robusto, enquanto portar aplicativos para Android nem sempre funciona em todas as versões — diz.
As câmeras dos três tablets são de 5 megapixels, e de modo geral intuitivas no uso para fotografias e vídeos. Mas o iPad e o PlayBook gravam vídeos em 1080p, contra 720p do Xoom 2.
Conexão com PC: Xoom 2 e PlayBook se destacam
É no quesito conexão com o computador que o iPad perde, porque necessita do iTunes pré-instalado no PC. Há muito mais usuários de Windows que de Mac, e quem não tem ou não quer ter iTunes no desktop se limitará a importar fotos e vídeos do iPad para o desktop. Não é possível copiar arquivos diretamente para o tablet sem a intermediação do software da Apple.
Já o PlayBook, ao ser conectado à porta USB pela primeira vez, instala o BlackBerrry Device Manager e depois disso é lido como um pen drive comum. Bem mais simples e transparente. E o Xoom 2 instala o MotoCast, função da Motorola que permite a sincronização de seu tablet com o PC via Wi-Fi. Arquivos colocados nas pastas do MotoCast no PC são automaticamente vistos no Xoom. Inclusive, em nosso teste, o tablet detectou automaticamente o MotoCast que fora instalado anteriormente a partir de um smartphone Razr da nova geração, mostrando os arquivos sincronizados naquela ocasião.
No gerenciamento de e-mails e mensagens, os tablets se comportaram bem. Destaque para a combinação inteligente de mensagens de várias contas (Gmail, Facebook, Twitter e LinkedIN) no PlayBook, cujo calendário se conecta aos aniversários dos contatos na rede de Mark Zuckerberg.
No cômputo geral, a experiência de usuário mais simples e direta continua sendo a do iPad, embora as interfaces com o Windows sejam melhores no Xoom 2 e no PlayBook. Alguns usuários mergulharam tão a fundo no universo iPad que não querem mais saber do PC. É o caso de Adriano Rayol, da Uplay.
— Eu nem ligo mais o PC de casa. Fico no iPad direto, até na cama e mesmo na cozinha. Como gosto de cozinhar, muitas vezes ponho um vídeo do chef Jamie Oliver e faço as receitas.
terça-feira, 12 de junho de 2012
OS SEGREDOS PARA ENRIQUECER A DOIS
Os segredos para enriquecer a dois
Em seu novo livro, “Os Segredos dos Casais Inteligentes”, o consultor financeiro Gustavo Cerbasi ensina casais a fazerem fortuna sem deixar de desfrutar o presente
O GLOBO
RIO — Desde que resolveram morar juntos, há pouco mais de um ano, o
administrador Thiago de Ávila, de 31 anos, e a jornalista Júlia Borba,
28, começaram a controlar as finanças para comprar um imóvel. O casal
vive em um apartamento conjugado no Largo do Machado, mas ainda não
decidiu se a tão sonhada aquisição servirá de casa própria ou para fazer
renda com locação. Tem investimentos na poupança e Bolsa de Valores e
todas as despesas vão parar numa planilha controlada mensalmente. Mesmo
assim, os dois consideram que extrapolam nos gastos com lazer e
alimentação. Como muitos outros casais, querem fazer fortuna, mas têm
dúvidas sobre qual estratégia adotar.
Para
o consultor financeiro e autor do recém lançado livro “Os Segredos dos
Casais Inteligentes” (Editora Sextante), Gustavo Cerbasi, o maior erro
de um casal, quando se fala em poupar, é cortar pequenos prazeres como o
cafezinho na padaria depois do almoço, a ida ao cinema, o jantar a dois
ou mesmo a manicure. Gastos comumente taxados de supérfluos, mas que
garantem o bem-estar e a estabilidade psicológica de quem os desfruta e,
consequentemente, do casal, afirma Cerbasi em seu novo livro. Para o
consultor, o errado não é ter caprichos, mas estourar o cartão de
crédito por falta de planejamento.
De nada adianta tentar economizar para diminuir o custo de vida se a estrutura básica dos custos não muda. Em vez de tentar cortar dezenas de pequenos gastos relacionados ao escasso lazer, aconselha Cerbasi, seria muito mais eficaz trocar a moradia atual por uma menor. Todos os gastos com contas de consumo, impostos e manutenção tendem a diminuir quase que proporcionalmente.
— O que o casal precisa é mudar a sua maneira de fazer escolhas, principalmente as grandes, aquelas que terão impacto na vida dos dois por muitos anos. Revejam o estilo de vida. Se trocarem um apartamento de 150m² por um de 120m² não haverá mais conforto, mas reduzirão os gastos com energia, água e impostos. Não dá é para ficar sem verba para sair da rotina. Até se consegue poupar dessa forma, mas você estará condenando a sua felicidade — alerta o consultor.
Planilhas, tabelas e aplicações são parte da estratégia para enriquecer a dois, mas nada é mais importante do que o diálogo e a maneira como ele se dá. É comum casais associarem conversas sobre dinheiro a discussões e evitar ao máximo o assunto. Cerbasi defende em seu novo livro que casais com o hábito de conversarem abertamente sobre planos e vontades, não sobre dinheiro, e que, a partir disso, montam um planejamento financeiro para atingir estas metas, serão mais felizes.
— Eu não gosto de conversar sobre dinheiro, nem a Júlia. Contudo, alguns objetivos e sonhos sempre batem à porta para dizer: "Cara, para conquistar isso tudo você precisa sim pensar em finanças." Apesar de não ser fácil — conclui o administrador Thiago.
O esforço é necessário e vale a pena. Afinal, "não há paixão que resista à falta de dinheiro", sentencia Cerbasi.
De nada adianta tentar economizar para diminuir o custo de vida se a estrutura básica dos custos não muda. Em vez de tentar cortar dezenas de pequenos gastos relacionados ao escasso lazer, aconselha Cerbasi, seria muito mais eficaz trocar a moradia atual por uma menor. Todos os gastos com contas de consumo, impostos e manutenção tendem a diminuir quase que proporcionalmente.
— O que o casal precisa é mudar a sua maneira de fazer escolhas, principalmente as grandes, aquelas que terão impacto na vida dos dois por muitos anos. Revejam o estilo de vida. Se trocarem um apartamento de 150m² por um de 120m² não haverá mais conforto, mas reduzirão os gastos com energia, água e impostos. Não dá é para ficar sem verba para sair da rotina. Até se consegue poupar dessa forma, mas você estará condenando a sua felicidade — alerta o consultor.
Planilhas, tabelas e aplicações são parte da estratégia para enriquecer a dois, mas nada é mais importante do que o diálogo e a maneira como ele se dá. É comum casais associarem conversas sobre dinheiro a discussões e evitar ao máximo o assunto. Cerbasi defende em seu novo livro que casais com o hábito de conversarem abertamente sobre planos e vontades, não sobre dinheiro, e que, a partir disso, montam um planejamento financeiro para atingir estas metas, serão mais felizes.
— Eu não gosto de conversar sobre dinheiro, nem a Júlia. Contudo, alguns objetivos e sonhos sempre batem à porta para dizer: "Cara, para conquistar isso tudo você precisa sim pensar em finanças." Apesar de não ser fácil — conclui o administrador Thiago.
O esforço é necessário e vale a pena. Afinal, "não há paixão que resista à falta de dinheiro", sentencia Cerbasi.
Os cinco passos para construir riqueza a dois
Confira as dicas de Gustavo Cerbasi, autor do livro Os Segredos dos Casais Inteligentes
1° Jogar aberto
Falar sobre dinheiro não pode ser o mesmo que fazer da vida um conjunto de controles e planilhas. O recomendável é que se estabeleça um jogo aberto que, além de fortalecer a cumplicidade do casal vai estimular a sacrifícios e esforços pelo propósito de enriquecer. Uma das maneiras mais eficientes de iniciar essa conversa é pelas perguntas: "Você está feliz?", "Há algum sonho ou desejo deixado para trás?", "Quanto custa esse sonho?". Tornar esse diálogo frequente garantirá a reconstrução do que não está bem e um planejamento para atingir as metas traçadas.
2° Unir o planejamento financeiro
O planejamento financeiro do casal tem de ser feito sempre a dois. Ambos devem levar em consideração o padrão total, somadas as rendas, ao planejar aquisições e gastos. As escolhas de cada um têm de ser boas para ambos. Não importa quanto cada um ganha ou se apenas um tem renda e o outro cuida do lar. Se um casal decidiu construir uma vida a dois haverá inúmeras decisões financeiras a serem tomadas e essa sintonia é importante. Mas isso não pressupõe, necessariamente, a união das contas bancárias.
3° Conversar sobre decisões do cotidiano
A tendência é que o mais gastador seja equilibrado pelo mais poupador. Peça opinião ao seu parceiro sobre investimentos, gastos com a família (ter de ajudar, pai, mãe e irmãos). Evite que a sua liberdade individual coloque em risco os planos e compromissos assumidos pelo casal, a chamada infidelidade financeira. Um dos tipos mais comuns de traição acontece quando, para evitar uma briga, um dos dois mente ou omite uma informação financeira ao parceiro, como esconder despesas ou dívidas que não estavam nos planos ou comprar um sapato novo caríssimo e dizer que ganhou de presente.
4° Fazer da carreira um projeto do casal
A carreira costuma ser planejada para ser uma conquista pessoal. Este é um dos maiores erros dos casais, motivo de um grande número de divórcios. O casal terá um caminho muito mais prazeroso na construção da independência financeira se a parceria se estender às questões profissionais. Ambos devem estar preparados para, em algum momento, abrir mão da carreira pela do outro, no caso de uma proposta para morar fora do país, por exemplo. A carreira do parceiro tem de ser um plano B com o qual você poderá contar caso receba uma proposta ousada e precise arriscar. Se der errado, o seu parceiro tem de estar preparado para segurar as pontas enquanto você se restabelece no mercado.
5° Manter a liberdade e independência de consumo
É importante que ambos possam reservar parte do orçamento para gastos pessoais, sem ter de se preocupar com o plano financeiro familiar. Seja para comprar um sapato ou roupa nova ou pagar pensão para um filho de outro relacionamento. Preservar a liberdade de cada um é fundamental para preservar a relação.
Falar sobre dinheiro não pode ser o mesmo que fazer da vida um conjunto de controles e planilhas. O recomendável é que se estabeleça um jogo aberto que, além de fortalecer a cumplicidade do casal vai estimular a sacrifícios e esforços pelo propósito de enriquecer. Uma das maneiras mais eficientes de iniciar essa conversa é pelas perguntas: "Você está feliz?", "Há algum sonho ou desejo deixado para trás?", "Quanto custa esse sonho?". Tornar esse diálogo frequente garantirá a reconstrução do que não está bem e um planejamento para atingir as metas traçadas.
2° Unir o planejamento financeiro
O planejamento financeiro do casal tem de ser feito sempre a dois. Ambos devem levar em consideração o padrão total, somadas as rendas, ao planejar aquisições e gastos. As escolhas de cada um têm de ser boas para ambos. Não importa quanto cada um ganha ou se apenas um tem renda e o outro cuida do lar. Se um casal decidiu construir uma vida a dois haverá inúmeras decisões financeiras a serem tomadas e essa sintonia é importante. Mas isso não pressupõe, necessariamente, a união das contas bancárias.
3° Conversar sobre decisões do cotidiano
A tendência é que o mais gastador seja equilibrado pelo mais poupador. Peça opinião ao seu parceiro sobre investimentos, gastos com a família (ter de ajudar, pai, mãe e irmãos). Evite que a sua liberdade individual coloque em risco os planos e compromissos assumidos pelo casal, a chamada infidelidade financeira. Um dos tipos mais comuns de traição acontece quando, para evitar uma briga, um dos dois mente ou omite uma informação financeira ao parceiro, como esconder despesas ou dívidas que não estavam nos planos ou comprar um sapato novo caríssimo e dizer que ganhou de presente.
4° Fazer da carreira um projeto do casal
A carreira costuma ser planejada para ser uma conquista pessoal. Este é um dos maiores erros dos casais, motivo de um grande número de divórcios. O casal terá um caminho muito mais prazeroso na construção da independência financeira se a parceria se estender às questões profissionais. Ambos devem estar preparados para, em algum momento, abrir mão da carreira pela do outro, no caso de uma proposta para morar fora do país, por exemplo. A carreira do parceiro tem de ser um plano B com o qual você poderá contar caso receba uma proposta ousada e precise arriscar. Se der errado, o seu parceiro tem de estar preparado para segurar as pontas enquanto você se restabelece no mercado.
5° Manter a liberdade e independência de consumo
É importante que ambos possam reservar parte do orçamento para gastos pessoais, sem ter de se preocupar com o plano financeiro familiar. Seja para comprar um sapato ou roupa nova ou pagar pensão para um filho de outro relacionamento. Preservar a liberdade de cada um é fundamental para preservar a relação.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
CONTROLE SEUS CARNÊS
REVISTA ISTO É N° Edição: 2219, 21.Mai.12 - 18:03
Assim como é possível mudar de operadora de telefone celular, os brasileiros também podem transferir seus empréstimos de um banco para outro em busca de melhores condições de pagamento. Para o economista e professor de finanças pessoais da Fundação Getulio Vargas, Samy Dana, a portabilidade bancária representa uma enorme vantagem para o consumidor: “É a grande chance de as pessoas escolherem o empréstimo mais barato e aprender a usar o crédito de uma forma responsável.” A portabilidade passou a ser permitida no País em 2006, mas, segundo o Banco Central (BC), era pouco utilizada. “Antes da queda nas taxas de juros, havia menos competição no setor bancário, o que não estimulava o uso da portabilidade”, diz Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito. Segundo Maria Inês Dolci, coordenadora da Associação de Defesa do Consumidor (Proteste), o correntista deve ficar atento para não arcar com nenhum custo durante a operação. “Mesmo se a tarifa do outro banco for mais baixa do que a da instituição atual, é preciso saber se não está acontecendo uma venda casada, como, por exemplo, a contratação de um seguro.” A seguir, saiba como escolher o banco certo para você.
A guerra dos juros entre os bancos facilitou a transferência de empréstimos de uma instituição para outra. Descubra como tirar proveito dessa situação
por Adriana Nicacio e Fabíola PerezAssim como é possível mudar de operadora de telefone celular, os brasileiros também podem transferir seus empréstimos de um banco para outro em busca de melhores condições de pagamento. Para o economista e professor de finanças pessoais da Fundação Getulio Vargas, Samy Dana, a portabilidade bancária representa uma enorme vantagem para o consumidor: “É a grande chance de as pessoas escolherem o empréstimo mais barato e aprender a usar o crédito de uma forma responsável.” A portabilidade passou a ser permitida no País em 2006, mas, segundo o Banco Central (BC), era pouco utilizada. “Antes da queda nas taxas de juros, havia menos competição no setor bancário, o que não estimulava o uso da portabilidade”, diz Marcelo Prata, presidente do Canal do Crédito. Segundo Maria Inês Dolci, coordenadora da Associação de Defesa do Consumidor (Proteste), o correntista deve ficar atento para não arcar com nenhum custo durante a operação. “Mesmo se a tarifa do outro banco for mais baixa do que a da instituição atual, é preciso saber se não está acontecendo uma venda casada, como, por exemplo, a contratação de um seguro.” A seguir, saiba como escolher o banco certo para você.
MELHOR AMIGO PROTEGENDO A SAÚDE HUMANA
21.Mai.12 - 17:42
Doutor cão
O melhor amigo do homem ganha novas funções para ajudar a proteger a saúde humana. Cilene Pereira
TESTE
Os animais são treinados a detectar tumores pelo cheiro das amostras
Os animais são treinados a detectar tumores pelo cheiro das amostras
Cachorros costumam ser aliados da boa saúde humana. São companheiros na caminhada, reduzem o estresse, diminuem a depressão. Agora, um canil na Inglaterra está começando a treinar cães para identificar tumores pelo cheiro. O trabalho está sendo feito no Medical Detection Dogs, um serviço filantrópico que trabalha em parceria com universidades e institutos de saúde britânicos. Atualmente, há seis cachorros em estágio avançado de treinamento, o que significa dizer que já são capazes de detectar com sucesso a presença de determinados tipos de câncer.
A ideia de usar os animais partiu da pesquisadora Claire Guest, hoje coordenadora do centro. Ela foi uma das responsáveis por um dos primeiros estudos sobre a capacidade de os cachorros usarem o olfato para encontrar tumores. A pesquisa dela foi publicada em 2004 no jornal científico “British Medical Journal”. De lá para cá, outras pesquisas foram realizadas.
AVISO
Billy alerta Beth quando as taxas de açúcar no sangue da garota estão baixas
Uma das mais recentes foi conduzida por cientistas alemães e publicada no “European Respiratory Journal”. Os cães – labradores e pastores australianos – acertaram na identificação de tumor de pulmão em 71% das vezes. Não se sabe ao certo como os animais fazem essa detecção. Uma das hipóteses seria a de que os tumores teriam em sua composição substâncias químicas voláteis, identificáveis pelo olfato extremamente apurado dos cachorros.
O treinamento para chegar a esse estágio é longo. Antes, eles passam pelo menos um ano sendo ensinados a obedecer a comandos. “Sem isso não conseguimos avanços”, explicou à ISTOÉ Anna Webb, integrante do centro. Depois, são treinados a reconhecer o cheiro de amostras extraídas de pacientes enviadas por hospitais. A cada acerto, ganham uma recompensa. O objetivo final é descobrir de que maneira os animais fazem a identificação e usar as informações para a criação do que os cientistas chamam de “nariz eletrônico”. “Esse aparelho seria usado para detectar tumores em amostras de urina”, disse Anna.
No centro, também há cães sendo treinados para acompanhar diabéticos. Nesse caso, os animais aprendem a detectar uma crise hipoglicêmica (queda da taxa de açúcar no sangue) pouco antes de ela ocorrer. O labrador Billy hoje anda o tempo todo com a adolescente Beth Jeans. Portadora de diabetes tipo 1, ela também apresenta doença celíaca (intolerância ao glúten), o que torna o controle dos níveis de glicose ainda mais difícil. Sempre que detecta a manifestação de uma crise, o labrador lambe a mão da dona ou choraminga.“Uma vez ele me alertou quando tomava banho de banheira”, lembra a garota. “Era uma situação perigosa. Se tivesse desmaiado, poderia ter me afogado. Com ele, me sinto mais segura.”
terça-feira, 15 de maio de 2012
O PODER DA GENEROSIDADE
REVISTA ISTO É N° Edição: 2218, 15.Mai.12 - 17:59
Encontrar explicações convincentes para a origem e a evolução da vida sempre foi uma obsessão para os cientistas. Tanto que, quando Charles Darwin criou a teoria da seleção natural, na segunda metade do século XIX, parecia ter encontrado a solução para o intrincado quebra-cabeça da evolução da vida no planeta Terra. A competição constante, embora muitas vezes silenciosa, entre os indivíduos, teria preservado as melhores linhagens, afirmava o naturalista britânico. Assim, um ser vivo com uma mutação favorável para a sobrevivência da espécie teria mais chances de sobreviver e espalhar essa característica para as futuras gerações. Após consecutivas linhagens, a tendência seria de que todos os indivíduos fossem descendentes daquele com a boa mutação, e que quem não a possuísse desaparecesse. Ao fim, sobreviveriam os mais fortes, como interpretou o filósofo Herbert Spencer, no início do século XX – ideia erroneamente atribuída a Darwin. Um século e meio depois, um biólogo americano agita a comunidade científica internacional ao ousar complementar a teoria da seleção darwinista. Segundo Edward Wilson, da Universidade de Harvard, considerado o pai da sociobiologia, ganhador de dois prêmios Pulitzer na categoria de não ficção e um dos mais respeitados acadêmicos da atualidade, o processo evolutivo é mais bem-sucedido em sociedades nas quais os indivíduos colaboram uns com os outros para um objetivo comum. Assim, grupos de pessoas, empresas e até países que agem pensando em benefício dos outros e de forma coletiva alcançam mais sucesso, segundo o americano.
Ao cravar essa tese, defendida no recém-lançado “A Conquista Social da Terra” (W.W. Norton & Company, 2012), uma compilação de pouco mais de 300 páginas, Wilson pôs à prova o benefício de agir em causa própria, presente na seleção individual de Darwin. O americano não contraria a teoria darwinista, mas afirma que ela é insuficiente para se entender a evolução, que aconteceria em múltiplos níveis – o individual, como proposto por Darwin, e o de grupo. Afinal, se o mais importante era fazer com que seus genes seguissem adiante, por que muitas vezes o indivíduo era capaz de se sacrificar pelo outro? A luta constante pela sobrevivência realmente explicou muita coisa, mas não foi capaz de lançar luz sobre uma característica intrigante, observada pelo próprio Darwin: o comportamento altruísta – chave da teoria de Wilson. “A seleção individual é importante, mas não explica tudo”, disse à ISTOÉ o diretor do centro de bem-estar da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, Robert Cloninger.
A nova teoria da evolução de Wilson arrebatou não só a comunidade científica como as mais importantes publicações internacionais. Os jornais “The New York Times”, “The Wall Street Journal” e “The Washington Post” e as revistas “Newsweek” e “New Yorker” são apenas algumas das publicações que dedicaram páginas e páginas à chegada da nova obra às prateleiras – sem contar as prestigiadas revistas científicas “Nature” e “Scientific American”. O trabalho do acadêmico de Harvard foi baseado nas espécies sociais, tais quais vários tipos de abelhas, formigas e nós, humanos. As espécies sociais são 3% do total dos animais do planeta, mas representam 50% de sua biomassa. Para Wilson, só esse dado já seria suficiente para explicar o sucesso desses grupos e constatar que a colaboração entre os indivíduos conta pontos positivos na evolução. Algo semelhante já havia sido observado pelo próprio Darwin no livro “A Evolução das Espécies”. Tentando explicar o altruísmo, o naturalista britânico percebeu que, se esse comportamento aparentemente não oferecia vantagem direta para o indivíduo, parecia ser capaz de garantir um benefício ao grupo. Porém ainda não era claro por que ser altruísta se o egoísmo parecia mais benéfico. “Os animais não precisam competir sempre”, disse à ISTOÉ o professor de antropologia da Universidade de Washington Robert Sussman, autor do livro “Origens da Cooperação e do Altruísmo” (2009). “Quando a cooperação representa uma vantagem para o grupo, os genes que a promovem são lançados à próxima geração, favorecendo esse grupo em relação aos outros”, afirmou Wilson em uma entrevista ao ensaísta científico Carl Zimmer. “Assim, a seleção ocorre no nível do grupo, embora não deixe de acontecer no nível individual.”
“A Conquista Social da Terra” surgiu para se fazer repensar a importância da cooperação, em especial entre os seres humanos. Afinal, se o sacrifício por um parente para a proteção dos genes, propalado pela seleção por parentesco, faz sentido em comunidades de abelhas e de formigas, falta-lhe complexidade para abarcar o ser humano, muitas vezes capaz de se sacrificar por razões bem mais subjetivas, como crenças e ideais. “Nos seres humanos há três aspectos que devem ser levados em conta para explicar a evolução: o corpo físico, os pensamentos e a psique”, afirma Robert Cloninger. “Darwin foca seu trabalho na evolução do corpo, por isso a explicação fica incompleta.” Por ter consciência, a pessoa é capaz de julgar se irá agir a favor ou contra o outro, podendo, inclusive, basear essa decisão em atos que esse mesmo sujeito praticou no passado. Alguém que sempre age de modo egoísta, por exemplo, pode ser rejeitado pelo restante do grupo. “As manifestações de generosidade nos seres humanos são diferentes e mais variadas que as observadas em outros animais”, disse à ISTOÉ o biólogo Michael Wade, que pesquisa evolução e comportamento na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Wade publicou, no fim de abril, um estudo mostrando que, embora o altruísmo esteja presente em várias espécies, o mecanismo pelo qual ele se dá varia. “Existem diferentes tipos de altruísmo, para diferentes ambientes. É o ambiente que determina como ajudar seu vizinho.”
Trabalhar em conjunto para um fim comum e, com isso, prosperar é também agir com altruísmo. Numa bucólica vila encravada em pleno centro da capital paulista, cerca de 100 pessoas colaboram umas com as outras no âmbito profissional. São produtores culturais, fotógrafos, jornalistas e programadores que formam a Casa da Cultura Digital, onde várias pequenas empresas promovem um intercâmbio de trabalho e cooperam mutuamente. Num ambiente em que não há espaço para a competição e as despesas são divididas, o negócio cresce.
A Casa da Cultura Digital é um exemplo de modelo de sucesso para a organização de empresas tendo como base o altruísmo. Para o americano Steve Denning, autor de vários livros sobre liderança empresarial, a teoria da evolução em grupo defendida pelo cientista ajuda a entender essa e outras fórmulas vitoriosas. Outro exemplo seria o modo como a americana Apple organiza suas equipes de trabalho, mantidas em separado e muitas vezes proibidas de dialogar entre si. Para muitos, essa decisão representa uma perda, na medida em que dificulta o compartilhamento de ideias gestadas pelos times. Denning, porém, lança outro olhar a partir do livro de Wilson. Se a colaboração se dá entre o próprio grupo, mas não para outros grupos – que muitas vezes são entendidos como o inimigo contra o qual se deve lutar –, caberia refletir sobre o seguinte ponto: “Os ganhos ao se suprimir a concorrência interna entre as equipes não compensariam as perdas de não deixá-las dialogar?”, escreveu, em um artigo recém-publicado no site da revista americana “Forbes”.
Na neurociência, por exemplo, especialistas tentam identificar os mecanismo cerebrais acionados quando se é generoso. “Seres humanos são capazes de se sacrificar por um desconhecido completo ou por um ideal. Isso não é visto em outras espécies”, afirma o neurocientista brasileiro Jorge Moll, do instituto D’Or, no Rio de Janeiro. O pesquisador é conhecido no meio acadêmico por seus estudos sobre a resposta cerebral às ações altruístas. Ele e sua equipe mostraram, por meio de exames de ressonância magnética, que ao se praticar ações altruístas são acionadas as mesmas áreas do cérebro ligadas à recompensa. Como se, ao se doar dinheiro, por exemplo, a sensação percebida fosse a mesma de quando se ganha dinheiro. “Para o cérebro, o que temos é um sentimento de recompensa, assim vale perder para ajudar o outro.” As amigas Flávia Constant, Paula Saldanha e Letícia Verona decidiram se unir e agir por pessoas que elas não conheciam diante da tragédia que matou mais de 900 pessoas na região serrana do Rio de Janeiro. Elas não moravam no local nem perderam amigos ou parentes, mas, imbuídas de altruísmo, arregaçaram as mangas e financiaram a construção de quatro casas no distrito de Vieira, em Teresópolis, porque acharam que não podiam ficar alheias à catástrofe. “Não tinha como não ajudar”, diz Letícia.
A generosidade presente no ato das três amigas do Rio de Janeiro também pode ser explicada pela ação da ocitocina, um neurotransmissor muito comum durante a amamentação e que age sobre a capacidade de empatia do indivíduo. “Em experimentos, tem-se visto que os altos níveis de ocitocina durante a lactação deixam tanto a mãe mais cuidadosa com a prole quanto mais agressiva com quem é de fora”, diz Moll. Comportamento que em muito lembra aquele descrito por Wilson para explicar a colaboração entre o próprio grupo, mas não necessariamente com indivíduos de outras comunidades.
Nos seres humanos, os modos como um grupo se relaciona com o outro estão ainda sujeitos a fortes influências culturais. “No plano das sociedades, temos características de individualismo e coletivismo e, no plano individual, temos indivíduos mais voltados para a autonomia ou mais interdependentes”, diz a pesquisadora Maria Lucia Seidl-de-Moura, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ela e seu grupo têm buscado compreender o modo como esses elementos são organizados para o desenvolvimento das sociedades. “Não se pode falar que as mais altruístas sejam mais evoluídas, mas é possível perceber que essa característica está mais presente em algumas organizações sociais que em outras”, diz, citando o exemplo do Japão, onde a estrutura social aposta no coletivo e os indivíduos se desenvolvem sob uma cultura de interdependência. Essa capacidade colaborativa se torna evidente em situações como a vivida na ilha após o terremoto de 11 de março de 2011, que exigiu a união do povo para a reconstrução do país. Outros países famosos pela capacidade de se organizar e agir coletivamente em prol da comunidade, quase de forma profissional, para assim alcançarem o bem comum e progredirem, são os Estados Unidos e as sociedades nórdicas, como a Noruega.
Especificamente no exemplo japonês está outro entendimento para o altruísmo, distinto da biologia evolucionista, na qual o conceito é aplicado para explicar a capacidade de um indivíduo abdicar de se reproduzir em prol de outro. Aqui, o altruísmo é apreendido como uma capacidade intrínseca do ser humano de ajudar o próximo, e que pode ser desenvolvida. “Como se fosse uma bagagem dos bebês que pode ser estimulada ao longo da infância e depois”, diz Maria Lúcia. Por isso, muitos defendem a possibilidade de fortalecer esses laços entre as pessoas.
Um exemplo é o trabalho “Ativando empatias”, iniciado no Canadá e que começa a ser implementado no Brasil pela organização internacional Ashoka. “Mapeamos no Brasil em torno de 15 empreendedores sociais para implementar a ação no País”, diz Mônica de Roure, diretora da Ashoka Brasil. A iniciativa, pensada para em um primeiro momento acontecer em escolas, entende o olhar para o outro como uma espécie de antídoto capaz de barrar um fenômeno cada vez mais comum: a violência perpetrada nos casos de bullying. E também como motor para o desenvolvimento comunitário. “Hoje temos claro que nosso sucesso depende do sucesso do outro. Não adianta, por exemplo, eu trabalhar em uma empresa saudável se ela está em uma comunidade doente. É preciso ter um olhar global para seguirmos adiante”, afirma Rogério Arns, superintendente do Instituto Camargo Corrêa e filho da criadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns.
A nova teoria de evolução colocou a comunidade científica em polvorosa, mas está longe de ser unanimidade. Wilson comprou uma briga ao contestar a validade das tentativas mais bem aceitas pelos cientistas contemporâneos para explicar a presença do altruísmo nas espécies, as teorias de seleção por parentesco e a do gene egoísta (leia quadro) – ambas fundadas na ideia de que o altruísmo, no fim, não passaria de uma estratégia egoísta para se passar adiante os genes do indivíduo. Em entrevista à ISTOÉ, Carl Zimmer diz que falta a Wilson testar a hipótese que apresenta. Nigel Barber, nome de peso na biopsicologia e autor de “Bondade em um Mundo Cruel: as Origens do Altruísmo” (tradução livre), também critica o trabalho. “Insistir na ideia de seleção de grupo é fazer pseudociência.” Para o cientista, ainda prevalece o conceito de seleção por parentesco. Ainda não se sabe se a teoria de Wilson entrará para a história como uma revolução à teoria da seleção natural. Mas ela combina muito mais com o conceito de humanidade.
Livro de professor da Universidade de Harvard revoluciona a teoria da seleção natural de Darwin ao mostrar que o grupo pode alcançar muito mais sucesso quando atua de forma coletiva e em benefício dos outro.
Rachel Costa
Encontrar explicações convincentes para a origem e a evolução da vida sempre foi uma obsessão para os cientistas. Tanto que, quando Charles Darwin criou a teoria da seleção natural, na segunda metade do século XIX, parecia ter encontrado a solução para o intrincado quebra-cabeça da evolução da vida no planeta Terra. A competição constante, embora muitas vezes silenciosa, entre os indivíduos, teria preservado as melhores linhagens, afirmava o naturalista britânico. Assim, um ser vivo com uma mutação favorável para a sobrevivência da espécie teria mais chances de sobreviver e espalhar essa característica para as futuras gerações. Após consecutivas linhagens, a tendência seria de que todos os indivíduos fossem descendentes daquele com a boa mutação, e que quem não a possuísse desaparecesse. Ao fim, sobreviveriam os mais fortes, como interpretou o filósofo Herbert Spencer, no início do século XX – ideia erroneamente atribuída a Darwin. Um século e meio depois, um biólogo americano agita a comunidade científica internacional ao ousar complementar a teoria da seleção darwinista. Segundo Edward Wilson, da Universidade de Harvard, considerado o pai da sociobiologia, ganhador de dois prêmios Pulitzer na categoria de não ficção e um dos mais respeitados acadêmicos da atualidade, o processo evolutivo é mais bem-sucedido em sociedades nas quais os indivíduos colaboram uns com os outros para um objetivo comum. Assim, grupos de pessoas, empresas e até países que agem pensando em benefício dos outros e de forma coletiva alcançam mais sucesso, segundo o americano.
Ao cravar essa tese, defendida no recém-lançado “A Conquista Social da Terra” (W.W. Norton & Company, 2012), uma compilação de pouco mais de 300 páginas, Wilson pôs à prova o benefício de agir em causa própria, presente na seleção individual de Darwin. O americano não contraria a teoria darwinista, mas afirma que ela é insuficiente para se entender a evolução, que aconteceria em múltiplos níveis – o individual, como proposto por Darwin, e o de grupo. Afinal, se o mais importante era fazer com que seus genes seguissem adiante, por que muitas vezes o indivíduo era capaz de se sacrificar pelo outro? A luta constante pela sobrevivência realmente explicou muita coisa, mas não foi capaz de lançar luz sobre uma característica intrigante, observada pelo próprio Darwin: o comportamento altruísta – chave da teoria de Wilson. “A seleção individual é importante, mas não explica tudo”, disse à ISTOÉ o diretor do centro de bem-estar da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, Robert Cloninger.
A nova teoria da evolução de Wilson arrebatou não só a comunidade científica como as mais importantes publicações internacionais. Os jornais “The New York Times”, “The Wall Street Journal” e “The Washington Post” e as revistas “Newsweek” e “New Yorker” são apenas algumas das publicações que dedicaram páginas e páginas à chegada da nova obra às prateleiras – sem contar as prestigiadas revistas científicas “Nature” e “Scientific American”. O trabalho do acadêmico de Harvard foi baseado nas espécies sociais, tais quais vários tipos de abelhas, formigas e nós, humanos. As espécies sociais são 3% do total dos animais do planeta, mas representam 50% de sua biomassa. Para Wilson, só esse dado já seria suficiente para explicar o sucesso desses grupos e constatar que a colaboração entre os indivíduos conta pontos positivos na evolução. Algo semelhante já havia sido observado pelo próprio Darwin no livro “A Evolução das Espécies”. Tentando explicar o altruísmo, o naturalista britânico percebeu que, se esse comportamento aparentemente não oferecia vantagem direta para o indivíduo, parecia ser capaz de garantir um benefício ao grupo. Porém ainda não era claro por que ser altruísta se o egoísmo parecia mais benéfico. “Os animais não precisam competir sempre”, disse à ISTOÉ o professor de antropologia da Universidade de Washington Robert Sussman, autor do livro “Origens da Cooperação e do Altruísmo” (2009). “Quando a cooperação representa uma vantagem para o grupo, os genes que a promovem são lançados à próxima geração, favorecendo esse grupo em relação aos outros”, afirmou Wilson em uma entrevista ao ensaísta científico Carl Zimmer. “Assim, a seleção ocorre no nível do grupo, embora não deixe de acontecer no nível individual.”
“A Conquista Social da Terra” surgiu para se fazer repensar a importância da cooperação, em especial entre os seres humanos. Afinal, se o sacrifício por um parente para a proteção dos genes, propalado pela seleção por parentesco, faz sentido em comunidades de abelhas e de formigas, falta-lhe complexidade para abarcar o ser humano, muitas vezes capaz de se sacrificar por razões bem mais subjetivas, como crenças e ideais. “Nos seres humanos há três aspectos que devem ser levados em conta para explicar a evolução: o corpo físico, os pensamentos e a psique”, afirma Robert Cloninger. “Darwin foca seu trabalho na evolução do corpo, por isso a explicação fica incompleta.” Por ter consciência, a pessoa é capaz de julgar se irá agir a favor ou contra o outro, podendo, inclusive, basear essa decisão em atos que esse mesmo sujeito praticou no passado. Alguém que sempre age de modo egoísta, por exemplo, pode ser rejeitado pelo restante do grupo. “As manifestações de generosidade nos seres humanos são diferentes e mais variadas que as observadas em outros animais”, disse à ISTOÉ o biólogo Michael Wade, que pesquisa evolução e comportamento na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Wade publicou, no fim de abril, um estudo mostrando que, embora o altruísmo esteja presente em várias espécies, o mecanismo pelo qual ele se dá varia. “Existem diferentes tipos de altruísmo, para diferentes ambientes. É o ambiente que determina como ajudar seu vizinho.”
Trabalhar em conjunto para um fim comum e, com isso, prosperar é também agir com altruísmo. Numa bucólica vila encravada em pleno centro da capital paulista, cerca de 100 pessoas colaboram umas com as outras no âmbito profissional. São produtores culturais, fotógrafos, jornalistas e programadores que formam a Casa da Cultura Digital, onde várias pequenas empresas promovem um intercâmbio de trabalho e cooperam mutuamente. Num ambiente em que não há espaço para a competição e as despesas são divididas, o negócio cresce.
A Casa da Cultura Digital é um exemplo de modelo de sucesso para a organização de empresas tendo como base o altruísmo. Para o americano Steve Denning, autor de vários livros sobre liderança empresarial, a teoria da evolução em grupo defendida pelo cientista ajuda a entender essa e outras fórmulas vitoriosas. Outro exemplo seria o modo como a americana Apple organiza suas equipes de trabalho, mantidas em separado e muitas vezes proibidas de dialogar entre si. Para muitos, essa decisão representa uma perda, na medida em que dificulta o compartilhamento de ideias gestadas pelos times. Denning, porém, lança outro olhar a partir do livro de Wilson. Se a colaboração se dá entre o próprio grupo, mas não para outros grupos – que muitas vezes são entendidos como o inimigo contra o qual se deve lutar –, caberia refletir sobre o seguinte ponto: “Os ganhos ao se suprimir a concorrência interna entre as equipes não compensariam as perdas de não deixá-las dialogar?”, escreveu, em um artigo recém-publicado no site da revista americana “Forbes”.
Na neurociência, por exemplo, especialistas tentam identificar os mecanismo cerebrais acionados quando se é generoso. “Seres humanos são capazes de se sacrificar por um desconhecido completo ou por um ideal. Isso não é visto em outras espécies”, afirma o neurocientista brasileiro Jorge Moll, do instituto D’Or, no Rio de Janeiro. O pesquisador é conhecido no meio acadêmico por seus estudos sobre a resposta cerebral às ações altruístas. Ele e sua equipe mostraram, por meio de exames de ressonância magnética, que ao se praticar ações altruístas são acionadas as mesmas áreas do cérebro ligadas à recompensa. Como se, ao se doar dinheiro, por exemplo, a sensação percebida fosse a mesma de quando se ganha dinheiro. “Para o cérebro, o que temos é um sentimento de recompensa, assim vale perder para ajudar o outro.” As amigas Flávia Constant, Paula Saldanha e Letícia Verona decidiram se unir e agir por pessoas que elas não conheciam diante da tragédia que matou mais de 900 pessoas na região serrana do Rio de Janeiro. Elas não moravam no local nem perderam amigos ou parentes, mas, imbuídas de altruísmo, arregaçaram as mangas e financiaram a construção de quatro casas no distrito de Vieira, em Teresópolis, porque acharam que não podiam ficar alheias à catástrofe. “Não tinha como não ajudar”, diz Letícia.
A generosidade presente no ato das três amigas do Rio de Janeiro também pode ser explicada pela ação da ocitocina, um neurotransmissor muito comum durante a amamentação e que age sobre a capacidade de empatia do indivíduo. “Em experimentos, tem-se visto que os altos níveis de ocitocina durante a lactação deixam tanto a mãe mais cuidadosa com a prole quanto mais agressiva com quem é de fora”, diz Moll. Comportamento que em muito lembra aquele descrito por Wilson para explicar a colaboração entre o próprio grupo, mas não necessariamente com indivíduos de outras comunidades.
Nos seres humanos, os modos como um grupo se relaciona com o outro estão ainda sujeitos a fortes influências culturais. “No plano das sociedades, temos características de individualismo e coletivismo e, no plano individual, temos indivíduos mais voltados para a autonomia ou mais interdependentes”, diz a pesquisadora Maria Lucia Seidl-de-Moura, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ela e seu grupo têm buscado compreender o modo como esses elementos são organizados para o desenvolvimento das sociedades. “Não se pode falar que as mais altruístas sejam mais evoluídas, mas é possível perceber que essa característica está mais presente em algumas organizações sociais que em outras”, diz, citando o exemplo do Japão, onde a estrutura social aposta no coletivo e os indivíduos se desenvolvem sob uma cultura de interdependência. Essa capacidade colaborativa se torna evidente em situações como a vivida na ilha após o terremoto de 11 de março de 2011, que exigiu a união do povo para a reconstrução do país. Outros países famosos pela capacidade de se organizar e agir coletivamente em prol da comunidade, quase de forma profissional, para assim alcançarem o bem comum e progredirem, são os Estados Unidos e as sociedades nórdicas, como a Noruega.
Especificamente no exemplo japonês está outro entendimento para o altruísmo, distinto da biologia evolucionista, na qual o conceito é aplicado para explicar a capacidade de um indivíduo abdicar de se reproduzir em prol de outro. Aqui, o altruísmo é apreendido como uma capacidade intrínseca do ser humano de ajudar o próximo, e que pode ser desenvolvida. “Como se fosse uma bagagem dos bebês que pode ser estimulada ao longo da infância e depois”, diz Maria Lúcia. Por isso, muitos defendem a possibilidade de fortalecer esses laços entre as pessoas.
Um exemplo é o trabalho “Ativando empatias”, iniciado no Canadá e que começa a ser implementado no Brasil pela organização internacional Ashoka. “Mapeamos no Brasil em torno de 15 empreendedores sociais para implementar a ação no País”, diz Mônica de Roure, diretora da Ashoka Brasil. A iniciativa, pensada para em um primeiro momento acontecer em escolas, entende o olhar para o outro como uma espécie de antídoto capaz de barrar um fenômeno cada vez mais comum: a violência perpetrada nos casos de bullying. E também como motor para o desenvolvimento comunitário. “Hoje temos claro que nosso sucesso depende do sucesso do outro. Não adianta, por exemplo, eu trabalhar em uma empresa saudável se ela está em uma comunidade doente. É preciso ter um olhar global para seguirmos adiante”, afirma Rogério Arns, superintendente do Instituto Camargo Corrêa e filho da criadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns.
A nova teoria de evolução colocou a comunidade científica em polvorosa, mas está longe de ser unanimidade. Wilson comprou uma briga ao contestar a validade das tentativas mais bem aceitas pelos cientistas contemporâneos para explicar a presença do altruísmo nas espécies, as teorias de seleção por parentesco e a do gene egoísta (leia quadro) – ambas fundadas na ideia de que o altruísmo, no fim, não passaria de uma estratégia egoísta para se passar adiante os genes do indivíduo. Em entrevista à ISTOÉ, Carl Zimmer diz que falta a Wilson testar a hipótese que apresenta. Nigel Barber, nome de peso na biopsicologia e autor de “Bondade em um Mundo Cruel: as Origens do Altruísmo” (tradução livre), também critica o trabalho. “Insistir na ideia de seleção de grupo é fazer pseudociência.” Para o cientista, ainda prevalece o conceito de seleção por parentesco. Ainda não se sabe se a teoria de Wilson entrará para a história como uma revolução à teoria da seleção natural. Mas ela combina muito mais com o conceito de humanidade.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
TECNOLOGIA JURÍDICA
Aplicativos podem melhorar produtividade de advogados. João Ozorio de Melo é correspondente da revista Consultor Jurídico nos Estados Unidos.Revista Consultor Jurídico, 2 de maio de 2012
Telefones inteligentes, que muitos preferem chamar de smartphones, tablets, que poucos ousam chamar de tabuleta, e seus aplicativos, que alguns preferem chamar de apps, são mais poderosos que muitos computadores de mesa (desktops) ou computadores portáteis (laptops ou notebooks) ainda em uso. Entretanto, nenhum desses aparatos eletrônicos tem o poder de tornar um advogado mais competente. Nem mais produtivo, se o advogado já não tem essa qualidade. “Mas, quando usados apropriadamente, ajudam muito a aperfeiçoar a prática da advocacia e aumentar, substancialmente, a produtividade”, diz o advogado Sam Glover, que tem como clientes alguns nerds da informática e é editor da publicação The Lawyerist.
Os aplicativos dos telefones da Apple, Android e Windows, bem como do iPad e outros tablets, devem ser compatíveis com os softwares e serviços utilizados pelo advogado em seu computador. Afinal, ninguém quer um sistema de gerenciamento de casos, por exemplo, que só funciona no telefone inteligente. Nenhum aplicativo deve “aprisionar” seus dados dentro do telefone, embora, de qualquer forma, o usuário precise de algo como o Dropbox para aproveitá-los da melhor forma possível.
Em um artigo para a revista da American Bar Association (ABA), a ordem dos advogados dos Estados Unidos, o autor apresenta os aplicativos que usa e recomenda. O especialista em aplicativos jurídicos e colunista da ConJur, Alexandre Atheniense, que discutiu a utilidade dessas ferramentas com Sam Glover no “Techshow” da ABA em Chicago, no mês passado, coloca as sugestões em contexto para os advogados brasileiros:
Ler documentos: GoodReader
É um aplicativo compatível com iOS, que não se usa todos os dias, mas, definitivamente, é impossível viver sem ele. É um dos primeiros aplicativos que se deve adquirir para um novo iPhone ou iPad. O GoodReader é bom para ver documentos, mas faz mais do que seu nome (BomLeitor) sugere. Ele se parece com um daqueles canivetes suíços, que têm ferramentas para tudo, isto é, para ver e gerenciar documentos. Um de seus principais recursos é a sua capacidade de sincronizar documentos de uma grande variedade de servidores, como Dropbox, Google Docs, FTP e e-mail.
O autor conta que, antes de ir para o tribunal, sincroniza todos os arquivos do cliente no Dropbox e transfere os documentos relevantes para o GoodReader, que tem um navegador de documentos com abas, o que facilita o acesso a qualquer um deles, durante a audiência. Ele diz que não conhece uma alternativa para o GoodReader, mas lembra que o advogado pode usar o Dropbox, que é compatível com Android, iOS, Windows, OS X, Linux e com a computação em nuvem, se estiver sempre conectado e não quiser sincronizar os arquivos em seu dispositivo.
A propósito, o Dropbox é um serviço de hospedagem de arquivos baseado na Web, que usa um sistema de armazenamento em rede para se guardar arquivos e pastas, que podem ser compartilhados com outros usuários pela internet, utilizando-se a sincronização de arquivos, segundo explica a Wikipédia. Há versões gratuitas e pagas do serviço, cada um com suas opções. O advogado poder fazer o download do site da empresa: www.dropbox.com.
Alexandre Atheniense — O GoodReader me parece o aplicativo mais adequado para sincronizar, ler, fazer anotações e compartilhar textos. A exemplo de Sam Glover, várias vezes antes de ir a uma audiência, sustentação oral ou reuniões de negócios, uso o GoodReader para sincronizar os arquivos de dados de um cliente ou assunto que vai ser tratado. Depois sempre faço uma leitura prévia e preparo minhas anotações, que serão úteis posteriormente. O GoodReader acessa arquivos de diversos formatos. Além disso, nem todos os aplicativos que prometem visualização de arquivos funcionam bem com arquivos pdf e txt muito extensos. O GoodReader não tem limites quanto ao tamanho de arquivos para propiciar conforto no acesso.
Outra grande vantagem é que este aplicativo permite que o usuário possa gerenciar os arquivos baixados em diretórios personalizados, renomeá-los e localizá-los por diferentes critérios.
Outro ponto forte do GoodReader é a segurança. O aplicativo propicia até duas senhas para proteção do acesso e opera com o sistema de criptografia de dados para as versões do sistema operacional iOS da Apple.
Gerenciar tarefas: RTM e Wunderlist
Um dos melhores usos de um telefone inteligente e dos tablets é o de gerenciar a lista de tarefas (ou a agenda do dia). O autor diz que é viciado em gerenciadores de tarefas e já tentou todos os aplicativos que caíram em suas mãos. Mas prefere o aplicativo Remember the Milk (RTM), cujo nome é uma referência a um item comum em listas de tarefas cotidianas: “não esquecer do leite”. Ele é compatível com Android, iOS e computação em nuvem.
A preferência do autor se deve ao fato de que o uso do RTM é simples. Mas ele permite ao usuário criar facilmente listas de tarefas e relacionamentos mais complexos. O RTM permite ao advogado anotar tarefas em linguagem clara e objetiva, tal como “Memorando sumário do julgamento devido em 30/4”. E ele “assume” que o usuário deseja agendar esse compromisso para 30 de abril.
O advogado também pode conferir o Wunderlist, que é compatível com Android, iOS, Windows, OS X e computação em nuvem. É uma alternativa não tão inteligente como o RTM, mas faz o que muitas pessoas precisam que faça.
Alexandre Atheniense — O RTM é a ferramenta que uso há quatro anos para gerenciar todas as tarefas de diligências forenses com minha equipe. O RTM permite que uma tarefa seja compartilhada, o que torna essa ferramenta um excelente controlador das atividades profissionais, quando se trabalha em grupo. Toda a programação das atividades diárias é controlada pelo RTM, que por sua vez compartilha estas informações com a nossa agenda eletrônica, controlada pelo aplicativo Google Calendar.
Outra grande vantagem do RTM é a rapidez ao acesso das informações. Quando um cliente liga para saber sobre o andamento do processo ou sobre a próxima diligência a ser cumprida no processo, criamos uma rotina automatizada que, com três cliques pelo smartphone ou tablet, é possível responder a ele de forma precisa, informando-lhe inclusive a próxima atividade a ser exercida. O programa permite o cadastramento de atalhos com o endereço das páginas de tramitação processual dos tribunais, o que torna esta solução uma das mais eficientes para a área jurídica no quesito gerenciamento de tarefas.
Escrever em editor de texto: Daedalus, Writing Kit e Nebulous Notes
Se você não usa um editor de texto quando escreve, você deveria, diz o autor. O Word do Windows e o Pages do Mac, que são “processadores de textos”, na linguagem da computação, são muito bons e tudo o mais, mas você não deveria se preocupar com formatação do texto, margens ou qualquer outra distração quando está escrevendo um resumo dos fatos (brief), por exemplo. O autor diz que escreve todos os seus textos em um editor de texto simples. E, depois de pronto, copia e cola o texto qual seja o seu destino (Word, Pages, Web etc.) e o formata, conforme as necessidades.
Para o iPad, o editor de texto favorito do autor é o Daedalus, que usa uma interface de “pilhas de papel” (metaforicamente) e sincroniza com o Dropbox. Ele recomenda aos advogados que testem também o Writing Kit ou o Nebulous Notes, ambos compatíveis com iOS. Mas, declara que fica devendo uma recomendação de editor de texto para o Android, pois ainda não encontrou um que atendesse suas necessidades específicas. E observa: como se trata de editores de texto, você não pode editar os arquivos, usando o que for; não há formatação para complicar as coisas, quando você transfere documentos entre dispositivos.
Alexandre Atheniense — Além desses, há o Jota Text Editor, que é uma boa solução para quem precisa de um editor para Android. Se os usuários do sistema operacional Android necessitarem editar algum texto gerado em planilhas ou editor de textos, as melhores soluções são o QuickOffice (ver abaixo) ou o Documents to Go.
Escrever em processador de texto: QuickOffice, Word, Pages etc.
O autor diz que não usa processadores de texto frequentemente em seu telefone Android ou em seu iPad. Ele gosta do Pages, da Apple, no entanto. Mas, em geral, trabalhar com documentos formatados em uma plataforma móvel ainda leva a frustrações. E deve continuar assim, até que a Microsoft lance a sua segunda ou terceira versão do Office para cada plataforma. Ele sugere aos advogados que experimentem o QuickOffice, compatível com Android e iOS, como alternativa. Mas recomenda, altamente, que o advogado use um editor de texto para escrever, em vez de um processador de texto. Ou, alternativamente, use acesso remoto (explicado abaixo) para utilizar o Word ou o Pages no computador.
Alexandre Atheniense — Seja qual for o seu aplicativo escolhido, considere sempre a possibilidade de usar, quando for editar em processadores de textos para smartphone ou tablet, um teclado externo com recurso de comunicação via Bluetooth e um monitor de video externo. O teclado sem fio da Apple é uma ótima solução para entrada de dados, enquanto que o adaptador de vídeo da Apple, para monitores VGA ou HDMI, deve ser considerado para buscar mais conforto na edição mais demorada.
Fazer anotações (a mão): Upad e Penultimate
Se for adquirir um tablet, adquira também uma caneta stylus, sugere o autor. Ele prefere a da marca BoxWave. Embora muitas pessoas tenham se adaptado ao teclado na tela, muita gente ainda prefere fazer anotações a mão, como o faria em um bloco de anotações. Existem muitas opções boas entre os aplicativos para escrita a mão em tablets. O autor prefere o Upad, que é compatível com o iPad. Ele tem um mecanismo ótimo para escrita a mão e torna fácil exportar as anotações para PDF, e também para fazer anotações em fotos ou em documentos em PDF.
O autor diz que usa o Upad em reuniões com clientes, em depoimentos/testemunhos, nos tribunais e em muitos outros lugares. A única desvantagem é que ele não sincroniza com o Dropbox. Mas é fácil enviar um e-mail com um arquivo em PDF para você mesmo e, depois, transferi-lo para onde quiser. Ele recomenda aos advogados conferir, também, o Penultimate, compatível com o iPad. É uma alternativa com uma interface mais simples, mas com menos opões.
Alexandre Atheniense — Eu uso esses programas que permitem tomar notas e gravar as reuniões em todas as minhas entrevistas com clientes. No entanto, meu aplicativo preferido para isso é o Notability. A sua grande vantagem, que o destaca dos demais, é a possibilidade de indexar o arquivo de áudio gravado durante as entrevistas com as anotações. Por exemplo, quando quero acessar um determinado trecho da gravação durante uma reunião, basta clicar no trecho da anotação escrita para acessar rapidamente a parte que me interessa. Além disso, logo após a gravação, esse aplicativo exporta as anotações em formato rtf ou pdf para plataformas de computação em nuvem, como box.net, dropbox. E, ainda, possibilita o envido do arquivo de áudio e das anotações por e-mail.
Fazer anotações (com o teclado): Evernote e OneNote
Muita gente se acostumou a digitar suas anotações em uma tela tátil (touchscreen) e prefere isso a fazer anotações a mão. Mas quem não se adaptou a esse teclado digital, pode portar um teclado tradicional Bluetooth, quando houver muita digitação a fazer. O autor diz que usa um teclado wireless da Apple em casa, quando vai escrever em seu iPad.
Para fazer anotações com o teclado em seu tablet, e escrever textos mais longos, nada melhor do que o aplicativo Evernote, ele afirma. Esse app é compatível com Android, iOS, Windows, OS X e computação em nuvem. E é bom porque, além de possibilitar a realização de anotações diretamente, você pode fotografar notas em papel, quadros de aviso ou de qualquer coisa com textos. E o Evernote irá reconhecer os textos com admirável precisão, de forma que você pode buscá-los quando precisar.
O autor diz que usa o aplicativo no trabalho e também para gravar no tablet rótulos de uísque, vinho e queijos, além de cartões de visita, ideias para melhorar a casa, listas de compras, restaurantes que quer ir e muitas outras coisas. O Evernote sincroniza com os demais dispositivos, com computação em nuvem e com o computador. É compatível com Windows e Mac. Como alternativa, o advogado deve conferir, também, o OneNote da Microsoft. É compatível com iOS, Windows e computação em nuvem.
Alexandre Atheniense — O Evernote vem se tornando uma das ferramentas mais úteis em meu trabalho cotidiano, pela facilidade de capturar rapidamente textos e áudio, em várias situações. Uma das grandes vantagens do Evernote é a possibilidade de localizar textos a partir de uma imagem, o que poucos programas de anotações conseguem fazer. O sincronismo dos dados entre as diversas plataformas é outro grande diferencial. Recentemente, o Evernote lançou o aplicativo Foods que permite ao usuário criar um banco de dados, com imagens e anotações, dos seus pratos favoritos, registrando o local onde estava e suas impressões sobre a experiência gastronômica.
Acessar remotamente o computador: Splashtop, Screens VNCe GoToMyPC
Não é possível fazer tudo em um tablet. Assim, o computador ainda é necessário para muitos trabalhos. Há algumas ótimas opções de acesso remoto ao computador para tablets, diz o autor. Ele prefere Splashtop, compatível com iOS, Windows, Android e OS X. Para ele, esse aplicativo funciona muito bem quando precisa editar um documento no Word ou anotar uma transação no QuickBooks, mas está longe de seu computador ou apenas com preguiça de levantar do sofá para procurá-lo. Ele recomenda aos advogados que confiram, também, os aplicativos Screens VNC (da Apple, para iPhone e iPad, compatível com iOS e OS X) e GoToMyPC (para Android, iPhone e iPad), compatível comWindows e OS X).
Alexandre Atheniense — Eu uso o Log MeIn, um aplicativo que permite o acesso remoto ao computador, com várias funções, como controle remoto, transferência de arquivos, acesso a dispositivos móveis e muito mais. O Log MeIn Free (gratuito) permite ao usuário o controle do computador remoto, como se estivesse sentado à frente dele. O LogMeIn Pro acrescenta alguns recursos, como transferência de arquivos, compartilhamento de arquivos, impressão remota (imprimir documentos, a partir do computador remoto para uma impressora próxima, de vídeo HD e som). Quando você necessitar acessar o seu computador remotamente, basta ir ao site do LogMeIn e se conectar a sua conta. O LogMeIn usa criptografia de 256 bit SSL. Os usuários do iPhone e iPad podem baixar o aplicativo LogMeIn gratuito, para conseguir acesso ao computador remoto. Os usuários do Android precisarão comprar o Android LogMeIn ($ 29.99 no Android Market).
Gerenciar senhas: LastPass e 1password
Esses dois gerenciadores de senha são muito bons. Eles possibilitam aos usuários acessar suas senhas no dispositivo, computador ou qualquer navegador, sem falhas de segurança. O autor diz que usa o LastPass, compatível com iOS, Android, Windows, OS X, Linux e computação em nuvem). E não sabe como pode viver sem esse aplicativo, antes de descobri-lo. Mas recomenda aos advogados que confiram também o 1password (1senha), compatível com iOS, Android, Windows, OS X e computação em nuvem).
Alexandre Atheniense — Em minha opinião, o 1password é um aplicativo indispensável. A necessidade de gerenciar uma quantidade cada vez maior de senhas demanda a utilização de um aplicativo para essa finalidade. Uma vantagem, que destaca o 1passowrd, é a possibilidade de fazer backup e restaurar o arquivo de dados criptografado com o Dropbox. Isto facilita muito a sincronização de todas as suas senhas entre vários dispositivos.
Comunicar-se e fazer videoconferências: Skype e GoToMeeting
O Skype, compatível com iOS, Android, Windows, OS X e Linux, é uma ferramenta de trabalho e de comunicações, em geral, indispensável para quem precisa ficar em contato com o escritório, com clientes, com pessoas da família e amigos, quando estiver em qualquer lugar. É ótimo para videoconferência e também para fazer e receber chamadas telefônicas.
O GoToMeeting, sugerido por Alexandre Atheniense, permite a realização de videoconferências com até 15 pessoas. Usando uma ferramenta de conferência pela Web, você pode compartilhar qualquer aplicativo em seu computador, em tempo real. Os demais participantes podem aderir à videoconferência em segundos.
Alexandre Atheniense — Pessoalmente, uso o GoToMeeting porque é uma solução estável e que me permite grande flexibilidade para convocar videoconferências com clientes e parceiros. Já cheguei a criar uma videoconferência com 15 pessoas, simultaneamente, com imagem em alta definição. Um ponto forte do GoToMeeting é que ele torna possível convidar para a sala de reunião virtual usuários que só estejam usando telefones ou mesmo portando smartphones ou tablets. Além disso, é possível compartilhar um documento que esteja sendo visualizado na tela, permitindo, se for o caso, que o interlocutor assuma os comandos do teclado e do mouse do computador do apresentador ou mesmo compartilhar sua tela.
Na minha opinião, a vantagem do GoToMeeting é a facilidade de engajamento dos clientes na utilização da videoconferência. Mesmo que jamais tenham utilizado uma solução de videoconferência antes, a adaptação é simples e com isso há uma enorme economia de deslocamento e sobretudo cria oportunidades de negócios além dos limites geográficos presenciais.
Outras ferramentas úteis
O iPad não vem com uma calculadora. O autor recomenda o Soulver, compatível com iOS, que é uma espécie de cruzamento entre a calculadora e o Excel, mas melhor que os dois. Para ele, esse é um aplicativo muito bom para se calcular acordos complexos ou taxas de contingência às carreiras. Também pode ser usado no iPhone.
O Instapaper, compatível com iOS e computação em nuvem, é uma ferramenta fantástica, diz o autor, para guardar coisas para serem lidas mais tarde. Ele usa esse aplicativo para guardar reportagens ou artigos longos, que só poderá ler no iPad, quando tiver tempo para isso.
Esses são os aplicativos que o autor usa todo o tempo. Mas ele admite que existem muitos outros que podem tornar o trabalho e a vida dos advogados mais fácil e mais produtiva. Os próprios advogados devem ter mais algumas boas sugestões para seus colegas.
Telefones inteligentes, que muitos preferem chamar de smartphones, tablets, que poucos ousam chamar de tabuleta, e seus aplicativos, que alguns preferem chamar de apps, são mais poderosos que muitos computadores de mesa (desktops) ou computadores portáteis (laptops ou notebooks) ainda em uso. Entretanto, nenhum desses aparatos eletrônicos tem o poder de tornar um advogado mais competente. Nem mais produtivo, se o advogado já não tem essa qualidade. “Mas, quando usados apropriadamente, ajudam muito a aperfeiçoar a prática da advocacia e aumentar, substancialmente, a produtividade”, diz o advogado Sam Glover, que tem como clientes alguns nerds da informática e é editor da publicação The Lawyerist.
Os aplicativos dos telefones da Apple, Android e Windows, bem como do iPad e outros tablets, devem ser compatíveis com os softwares e serviços utilizados pelo advogado em seu computador. Afinal, ninguém quer um sistema de gerenciamento de casos, por exemplo, que só funciona no telefone inteligente. Nenhum aplicativo deve “aprisionar” seus dados dentro do telefone, embora, de qualquer forma, o usuário precise de algo como o Dropbox para aproveitá-los da melhor forma possível.
Em um artigo para a revista da American Bar Association (ABA), a ordem dos advogados dos Estados Unidos, o autor apresenta os aplicativos que usa e recomenda. O especialista em aplicativos jurídicos e colunista da ConJur, Alexandre Atheniense, que discutiu a utilidade dessas ferramentas com Sam Glover no “Techshow” da ABA em Chicago, no mês passado, coloca as sugestões em contexto para os advogados brasileiros:
Ler documentos: GoodReader
É um aplicativo compatível com iOS, que não se usa todos os dias, mas, definitivamente, é impossível viver sem ele. É um dos primeiros aplicativos que se deve adquirir para um novo iPhone ou iPad. O GoodReader é bom para ver documentos, mas faz mais do que seu nome (BomLeitor) sugere. Ele se parece com um daqueles canivetes suíços, que têm ferramentas para tudo, isto é, para ver e gerenciar documentos. Um de seus principais recursos é a sua capacidade de sincronizar documentos de uma grande variedade de servidores, como Dropbox, Google Docs, FTP e e-mail.
O autor conta que, antes de ir para o tribunal, sincroniza todos os arquivos do cliente no Dropbox e transfere os documentos relevantes para o GoodReader, que tem um navegador de documentos com abas, o que facilita o acesso a qualquer um deles, durante a audiência. Ele diz que não conhece uma alternativa para o GoodReader, mas lembra que o advogado pode usar o Dropbox, que é compatível com Android, iOS, Windows, OS X, Linux e com a computação em nuvem, se estiver sempre conectado e não quiser sincronizar os arquivos em seu dispositivo.
A propósito, o Dropbox é um serviço de hospedagem de arquivos baseado na Web, que usa um sistema de armazenamento em rede para se guardar arquivos e pastas, que podem ser compartilhados com outros usuários pela internet, utilizando-se a sincronização de arquivos, segundo explica a Wikipédia. Há versões gratuitas e pagas do serviço, cada um com suas opções. O advogado poder fazer o download do site da empresa: www.dropbox.com.
Alexandre Atheniense — O GoodReader me parece o aplicativo mais adequado para sincronizar, ler, fazer anotações e compartilhar textos. A exemplo de Sam Glover, várias vezes antes de ir a uma audiência, sustentação oral ou reuniões de negócios, uso o GoodReader para sincronizar os arquivos de dados de um cliente ou assunto que vai ser tratado. Depois sempre faço uma leitura prévia e preparo minhas anotações, que serão úteis posteriormente. O GoodReader acessa arquivos de diversos formatos. Além disso, nem todos os aplicativos que prometem visualização de arquivos funcionam bem com arquivos pdf e txt muito extensos. O GoodReader não tem limites quanto ao tamanho de arquivos para propiciar conforto no acesso.
Outra grande vantagem é que este aplicativo permite que o usuário possa gerenciar os arquivos baixados em diretórios personalizados, renomeá-los e localizá-los por diferentes critérios.
Outro ponto forte do GoodReader é a segurança. O aplicativo propicia até duas senhas para proteção do acesso e opera com o sistema de criptografia de dados para as versões do sistema operacional iOS da Apple.
Gerenciar tarefas: RTM e Wunderlist
Um dos melhores usos de um telefone inteligente e dos tablets é o de gerenciar a lista de tarefas (ou a agenda do dia). O autor diz que é viciado em gerenciadores de tarefas e já tentou todos os aplicativos que caíram em suas mãos. Mas prefere o aplicativo Remember the Milk (RTM), cujo nome é uma referência a um item comum em listas de tarefas cotidianas: “não esquecer do leite”. Ele é compatível com Android, iOS e computação em nuvem.
A preferência do autor se deve ao fato de que o uso do RTM é simples. Mas ele permite ao usuário criar facilmente listas de tarefas e relacionamentos mais complexos. O RTM permite ao advogado anotar tarefas em linguagem clara e objetiva, tal como “Memorando sumário do julgamento devido em 30/4”. E ele “assume” que o usuário deseja agendar esse compromisso para 30 de abril.
O advogado também pode conferir o Wunderlist, que é compatível com Android, iOS, Windows, OS X e computação em nuvem. É uma alternativa não tão inteligente como o RTM, mas faz o que muitas pessoas precisam que faça.
Alexandre Atheniense — O RTM é a ferramenta que uso há quatro anos para gerenciar todas as tarefas de diligências forenses com minha equipe. O RTM permite que uma tarefa seja compartilhada, o que torna essa ferramenta um excelente controlador das atividades profissionais, quando se trabalha em grupo. Toda a programação das atividades diárias é controlada pelo RTM, que por sua vez compartilha estas informações com a nossa agenda eletrônica, controlada pelo aplicativo Google Calendar.
Outra grande vantagem do RTM é a rapidez ao acesso das informações. Quando um cliente liga para saber sobre o andamento do processo ou sobre a próxima diligência a ser cumprida no processo, criamos uma rotina automatizada que, com três cliques pelo smartphone ou tablet, é possível responder a ele de forma precisa, informando-lhe inclusive a próxima atividade a ser exercida. O programa permite o cadastramento de atalhos com o endereço das páginas de tramitação processual dos tribunais, o que torna esta solução uma das mais eficientes para a área jurídica no quesito gerenciamento de tarefas.
Escrever em editor de texto: Daedalus, Writing Kit e Nebulous Notes
Se você não usa um editor de texto quando escreve, você deveria, diz o autor. O Word do Windows e o Pages do Mac, que são “processadores de textos”, na linguagem da computação, são muito bons e tudo o mais, mas você não deveria se preocupar com formatação do texto, margens ou qualquer outra distração quando está escrevendo um resumo dos fatos (brief), por exemplo. O autor diz que escreve todos os seus textos em um editor de texto simples. E, depois de pronto, copia e cola o texto qual seja o seu destino (Word, Pages, Web etc.) e o formata, conforme as necessidades.
Para o iPad, o editor de texto favorito do autor é o Daedalus, que usa uma interface de “pilhas de papel” (metaforicamente) e sincroniza com o Dropbox. Ele recomenda aos advogados que testem também o Writing Kit ou o Nebulous Notes, ambos compatíveis com iOS. Mas, declara que fica devendo uma recomendação de editor de texto para o Android, pois ainda não encontrou um que atendesse suas necessidades específicas. E observa: como se trata de editores de texto, você não pode editar os arquivos, usando o que for; não há formatação para complicar as coisas, quando você transfere documentos entre dispositivos.
Alexandre Atheniense — Além desses, há o Jota Text Editor, que é uma boa solução para quem precisa de um editor para Android. Se os usuários do sistema operacional Android necessitarem editar algum texto gerado em planilhas ou editor de textos, as melhores soluções são o QuickOffice (ver abaixo) ou o Documents to Go.
Escrever em processador de texto: QuickOffice, Word, Pages etc.
O autor diz que não usa processadores de texto frequentemente em seu telefone Android ou em seu iPad. Ele gosta do Pages, da Apple, no entanto. Mas, em geral, trabalhar com documentos formatados em uma plataforma móvel ainda leva a frustrações. E deve continuar assim, até que a Microsoft lance a sua segunda ou terceira versão do Office para cada plataforma. Ele sugere aos advogados que experimentem o QuickOffice, compatível com Android e iOS, como alternativa. Mas recomenda, altamente, que o advogado use um editor de texto para escrever, em vez de um processador de texto. Ou, alternativamente, use acesso remoto (explicado abaixo) para utilizar o Word ou o Pages no computador.
Alexandre Atheniense — Seja qual for o seu aplicativo escolhido, considere sempre a possibilidade de usar, quando for editar em processadores de textos para smartphone ou tablet, um teclado externo com recurso de comunicação via Bluetooth e um monitor de video externo. O teclado sem fio da Apple é uma ótima solução para entrada de dados, enquanto que o adaptador de vídeo da Apple, para monitores VGA ou HDMI, deve ser considerado para buscar mais conforto na edição mais demorada.
Fazer anotações (a mão): Upad e Penultimate
Se for adquirir um tablet, adquira também uma caneta stylus, sugere o autor. Ele prefere a da marca BoxWave. Embora muitas pessoas tenham se adaptado ao teclado na tela, muita gente ainda prefere fazer anotações a mão, como o faria em um bloco de anotações. Existem muitas opções boas entre os aplicativos para escrita a mão em tablets. O autor prefere o Upad, que é compatível com o iPad. Ele tem um mecanismo ótimo para escrita a mão e torna fácil exportar as anotações para PDF, e também para fazer anotações em fotos ou em documentos em PDF.
O autor diz que usa o Upad em reuniões com clientes, em depoimentos/testemunhos, nos tribunais e em muitos outros lugares. A única desvantagem é que ele não sincroniza com o Dropbox. Mas é fácil enviar um e-mail com um arquivo em PDF para você mesmo e, depois, transferi-lo para onde quiser. Ele recomenda aos advogados conferir, também, o Penultimate, compatível com o iPad. É uma alternativa com uma interface mais simples, mas com menos opões.
Alexandre Atheniense — Eu uso esses programas que permitem tomar notas e gravar as reuniões em todas as minhas entrevistas com clientes. No entanto, meu aplicativo preferido para isso é o Notability. A sua grande vantagem, que o destaca dos demais, é a possibilidade de indexar o arquivo de áudio gravado durante as entrevistas com as anotações. Por exemplo, quando quero acessar um determinado trecho da gravação durante uma reunião, basta clicar no trecho da anotação escrita para acessar rapidamente a parte que me interessa. Além disso, logo após a gravação, esse aplicativo exporta as anotações em formato rtf ou pdf para plataformas de computação em nuvem, como box.net, dropbox. E, ainda, possibilita o envido do arquivo de áudio e das anotações por e-mail.
Fazer anotações (com o teclado): Evernote e OneNote
Muita gente se acostumou a digitar suas anotações em uma tela tátil (touchscreen) e prefere isso a fazer anotações a mão. Mas quem não se adaptou a esse teclado digital, pode portar um teclado tradicional Bluetooth, quando houver muita digitação a fazer. O autor diz que usa um teclado wireless da Apple em casa, quando vai escrever em seu iPad.
Para fazer anotações com o teclado em seu tablet, e escrever textos mais longos, nada melhor do que o aplicativo Evernote, ele afirma. Esse app é compatível com Android, iOS, Windows, OS X e computação em nuvem. E é bom porque, além de possibilitar a realização de anotações diretamente, você pode fotografar notas em papel, quadros de aviso ou de qualquer coisa com textos. E o Evernote irá reconhecer os textos com admirável precisão, de forma que você pode buscá-los quando precisar.
O autor diz que usa o aplicativo no trabalho e também para gravar no tablet rótulos de uísque, vinho e queijos, além de cartões de visita, ideias para melhorar a casa, listas de compras, restaurantes que quer ir e muitas outras coisas. O Evernote sincroniza com os demais dispositivos, com computação em nuvem e com o computador. É compatível com Windows e Mac. Como alternativa, o advogado deve conferir, também, o OneNote da Microsoft. É compatível com iOS, Windows e computação em nuvem.
Alexandre Atheniense — O Evernote vem se tornando uma das ferramentas mais úteis em meu trabalho cotidiano, pela facilidade de capturar rapidamente textos e áudio, em várias situações. Uma das grandes vantagens do Evernote é a possibilidade de localizar textos a partir de uma imagem, o que poucos programas de anotações conseguem fazer. O sincronismo dos dados entre as diversas plataformas é outro grande diferencial. Recentemente, o Evernote lançou o aplicativo Foods que permite ao usuário criar um banco de dados, com imagens e anotações, dos seus pratos favoritos, registrando o local onde estava e suas impressões sobre a experiência gastronômica.
Acessar remotamente o computador: Splashtop, Screens VNCe GoToMyPC
Não é possível fazer tudo em um tablet. Assim, o computador ainda é necessário para muitos trabalhos. Há algumas ótimas opções de acesso remoto ao computador para tablets, diz o autor. Ele prefere Splashtop, compatível com iOS, Windows, Android e OS X. Para ele, esse aplicativo funciona muito bem quando precisa editar um documento no Word ou anotar uma transação no QuickBooks, mas está longe de seu computador ou apenas com preguiça de levantar do sofá para procurá-lo. Ele recomenda aos advogados que confiram, também, os aplicativos Screens VNC (da Apple, para iPhone e iPad, compatível com iOS e OS X) e GoToMyPC (para Android, iPhone e iPad), compatível comWindows e OS X).
Alexandre Atheniense — Eu uso o Log MeIn, um aplicativo que permite o acesso remoto ao computador, com várias funções, como controle remoto, transferência de arquivos, acesso a dispositivos móveis e muito mais. O Log MeIn Free (gratuito) permite ao usuário o controle do computador remoto, como se estivesse sentado à frente dele. O LogMeIn Pro acrescenta alguns recursos, como transferência de arquivos, compartilhamento de arquivos, impressão remota (imprimir documentos, a partir do computador remoto para uma impressora próxima, de vídeo HD e som). Quando você necessitar acessar o seu computador remotamente, basta ir ao site do LogMeIn e se conectar a sua conta. O LogMeIn usa criptografia de 256 bit SSL. Os usuários do iPhone e iPad podem baixar o aplicativo LogMeIn gratuito, para conseguir acesso ao computador remoto. Os usuários do Android precisarão comprar o Android LogMeIn ($ 29.99 no Android Market).
Gerenciar senhas: LastPass e 1password
Esses dois gerenciadores de senha são muito bons. Eles possibilitam aos usuários acessar suas senhas no dispositivo, computador ou qualquer navegador, sem falhas de segurança. O autor diz que usa o LastPass, compatível com iOS, Android, Windows, OS X, Linux e computação em nuvem). E não sabe como pode viver sem esse aplicativo, antes de descobri-lo. Mas recomenda aos advogados que confiram também o 1password (1senha), compatível com iOS, Android, Windows, OS X e computação em nuvem).
Alexandre Atheniense — Em minha opinião, o 1password é um aplicativo indispensável. A necessidade de gerenciar uma quantidade cada vez maior de senhas demanda a utilização de um aplicativo para essa finalidade. Uma vantagem, que destaca o 1passowrd, é a possibilidade de fazer backup e restaurar o arquivo de dados criptografado com o Dropbox. Isto facilita muito a sincronização de todas as suas senhas entre vários dispositivos.
Comunicar-se e fazer videoconferências: Skype e GoToMeeting
O Skype, compatível com iOS, Android, Windows, OS X e Linux, é uma ferramenta de trabalho e de comunicações, em geral, indispensável para quem precisa ficar em contato com o escritório, com clientes, com pessoas da família e amigos, quando estiver em qualquer lugar. É ótimo para videoconferência e também para fazer e receber chamadas telefônicas.
O GoToMeeting, sugerido por Alexandre Atheniense, permite a realização de videoconferências com até 15 pessoas. Usando uma ferramenta de conferência pela Web, você pode compartilhar qualquer aplicativo em seu computador, em tempo real. Os demais participantes podem aderir à videoconferência em segundos.
Alexandre Atheniense — Pessoalmente, uso o GoToMeeting porque é uma solução estável e que me permite grande flexibilidade para convocar videoconferências com clientes e parceiros. Já cheguei a criar uma videoconferência com 15 pessoas, simultaneamente, com imagem em alta definição. Um ponto forte do GoToMeeting é que ele torna possível convidar para a sala de reunião virtual usuários que só estejam usando telefones ou mesmo portando smartphones ou tablets. Além disso, é possível compartilhar um documento que esteja sendo visualizado na tela, permitindo, se for o caso, que o interlocutor assuma os comandos do teclado e do mouse do computador do apresentador ou mesmo compartilhar sua tela.
Na minha opinião, a vantagem do GoToMeeting é a facilidade de engajamento dos clientes na utilização da videoconferência. Mesmo que jamais tenham utilizado uma solução de videoconferência antes, a adaptação é simples e com isso há uma enorme economia de deslocamento e sobretudo cria oportunidades de negócios além dos limites geográficos presenciais.
Outras ferramentas úteis
O iPad não vem com uma calculadora. O autor recomenda o Soulver, compatível com iOS, que é uma espécie de cruzamento entre a calculadora e o Excel, mas melhor que os dois. Para ele, esse é um aplicativo muito bom para se calcular acordos complexos ou taxas de contingência às carreiras. Também pode ser usado no iPhone.
O Instapaper, compatível com iOS e computação em nuvem, é uma ferramenta fantástica, diz o autor, para guardar coisas para serem lidas mais tarde. Ele usa esse aplicativo para guardar reportagens ou artigos longos, que só poderá ler no iPad, quando tiver tempo para isso.
Esses são os aplicativos que o autor usa todo o tempo. Mas ele admite que existem muitos outros que podem tornar o trabalho e a vida dos advogados mais fácil e mais produtiva. Os próprios advogados devem ter mais algumas boas sugestões para seus colegas.
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