segunda-feira, 27 de outubro de 2014

GUANTANAMERA

GUANTANAMERA - RUMBA


domingo, 26 de outubro de 2014

QUEM FICA E QUEM SAI NO INTER DE 2015

Quem fica e quem sai: como o Inter se prepara para 2015

Dos grande nomes do time titular, apenas Alex ainda precisa conversar com direção para renovar

ZERO HORA 26/10/2014 | 05h01
Quem fica e quem sai: como o Inter se prepara para 2015 Ricardo Duarte/Agencia RBS
Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS
O novo presidente do Inter receberá um time pronto para 2015. Dos 34 jogadores do atual plantel, 29 têm contrato em vigor para iniciar a nova temporada. Alex é o único dos grandes nomes do time que precisará conversar com a nova direção. O seu vínculo se encerrará em 18 de julho. Poderá assinar um pré-contrato com outro clube a partir de janeiro.

Junto com Abel Braga, o zagueiro Índio terá o contrato finalizado em 31 de dezembro. Gilberto, Wellington Silva e Alan Patrick, cujos empréstimos estão sendo encerrados, deixarão o Beira-Rio.

Entre chegadas e partidas, estão o volante e capitão do Goiás, Amaral, que já assinou pré-contrato com o Inter, e as prováveis vendas de Rafael Moura, Winck ou Bertotto. Além deles, Aránguiz voltará a receber investidas da Europa _ mesmo que o Inter consiga vaga à Libertadores. A folha do clube gira em torno de R$ 10 milhões mensais.


DE MALAS PRONTAS

Índio, 39 anos — 21/12/2014
Gilberto, 21 anos — 31/12/2014
Wellington Silva, 26 anos — 31/12/2014
Alan Patrick, 23 anos — 31/12/2014
Cassiano, 25 anos (emprestado ao Santa Cruz-PE) — 31/12/2014
Agenor, 24 anos — 20/2/2015
Bolatti, 29 anos (emprestado ao Botafogo) — 6/2/2015
PRECISA RENOVAR

Alan Ruschel
, 25 anos — 31/12/2014
Diogo, 21 anos — 30/4/2015
Wellington, 23 anos — 20/5/2015
Alex, 32 anos — 18/7/2015


UM ANO INTEIRO PELA FRENTE

Dida
, 41 anos — 31/12/2015
Juan, 35 anos — 31/12/2015
Claudio Winck, 20 anos — 31/12/2015
Ygor, 30 anos _ 31/12/2015
Wellington Paulista, 31 anos — 31/12/2015
Jorge Henrique, 32 ANOS — 31/12/2015
Augusto, 22 anos (emprestado ao Sport) — 5/12/2015


CONTRATOS LONGOS

Aránguiz
, 25 anos — 22/1/2016
Luque, 21 anos — 29/5/2016
Rafael Moura, 31 anos — 12/8/2016
Alisson, 22 anos — 9/11/2016
Alan Costa, 24 anos — 31/12/2016
Zé Mário, 22 anos (emprestado ao Caxias) — 3/1/2017
Paulão, 28 anos — 7/1/2017
Muriel, 27 anos — 31/5/2017
Maurides, 20 anos — 1/6/2017
Fabrício, 27 anos — 31/7/2017
Jair, 20 anos — 23/9/2017
Ernando, 26 anos — 31/12/2017
João Afonso, 19 anos — 31/12/2017
Bertotto, 21 anos — 31/12/2017
Willians, 28 anos — 31/12/2017
D'Alessandro, 33 anos — 31/12/2017
Eduardo Sasha, 22 anos — 31/12/2017
Nilmar, 30 anos — 31/12/2017
Jackson, 24 anos (emprestado ao Goiás) — 31/12/2017
Aylon, 22 anos — 1/5/2018
Thales, 21 anos — 31/10/2018
Valdívia, 20 anos — 31/12/2018​

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

AS PALAVRAS DE SARAMAGO

LISTA DE LIVRO, BLOG, 01/09/2013

As palavras de Saramago – José Saramago

Editora: Companhia das Letras
ISBN: 978-85-7616-434-0
Organização e seleção: Fernando Gómez Aguilera
Opinião: ***
Páginas: 480




“A felicidade é apenas uma invenção para tornar a vida mais suportável.”




“Primeiro sou português, segundo sou ibérico e só em terceiro lugar, e quando me dá vontade, sou europeu.”




“A vida, que parece uma linha reta, não o é. Construímos somente uns cinco por cento da nossa vida, o resto fazem os outros, porque vivemos com os outros e às vezes contra os outros. Mas essa pequena porcentagem, esses cinco por cento, é o resultado da sinceridade consigo mesmo.”




“Eu continuo dizendo, a esta idade de 75 anos, que continuo sendo neto dos meus avós.”




“Quando eu morrer… se pusessem uma lápide no lugar onde ficarei, poderia ser algo assim: “Aqui jaz, indignado, fulano de tal”. Indignado, claro, por duas razões: a primeira, por já não estar vivo, o que é um motivo bastante forte para indignar-se; e a segunda, mais séria, indignado por ter entrado num mundo injusto e ter saído de um mundo injusto. Mas temos de continuar, de continuar andando, temos de continuar.”




“Se não me interesso pelo mundo, este baterá na minha porta cobrando.”




“Tentei não fazer nada na vida que pudesse envergonhar o menino que fui.”




“A educação me preocupa muitíssimo, sim, sobretudo porque é um problema muito evidente, claro e transparente e ninguém faz nada a esse respeito. Confundiu-se a instrução com a educação durante muitos anos e agora estamos arcando com as consequências. Instruir é transmitir dados e conhecimentos. Educar é outra coisa, é inculcar valores […]. Faz décadas, o que havia era um Ministério da Instrução Pública, não da Educação. A educação era outra coisa. Se para ser educado fosse necessário ser instruído previamente, eu seria uma das criaturas mais ignorantes do mundo. Meus familiares eram analfabetos, como iam me instruir? Impossível. Mas me educaram, inculcaram em mim valores básicos, fundamentais. Eu morava numa casa paupérrima e saí dali educado. Milagre! Não, não há milagre nenhum. Aprendi a vida e a lição dos mais velhos, quando nem eles mesmos sabiam que estavam dando lições.”




“Quando se ridiculariza a bondade, no fundo, a única conclusão é que se esta a justificar a delinquência. Não me refiro a uma delinquência explícita, ativa, mas a uma certa atitude delinquente que se justifica pela indiferença e também pela incapacidade de agir.”




“É como se houvesse dentro de mim uma parte intocada. Ali não entra nada. E que se traduz numa certa serenidade, que se acentuou com a doença [sofrida em 2007-08]. Se alguma coisa pude aproveitar dela foi este sentimento de extrema serenidade. Passei pelos momentos maus e bons que todas as vidas têm, mas nunca perdi esta… não quero chamar-lhe segurança de mim mesmo… É um pouco como o olho do furacão: em redor é morte e destruição, mas ali o vento não sopra.”




“A felicidade é só estar em paz consigo mesmo, olhar para nós mesmos e lembrar que não fizemos muito mal aos outros.”




“Tenho ali uma foto dos meus avós maternos. Aquele homem alto e magro que esta na foto é meu avô Jerónimo, pai da minha mãe, e ela é a minha avó, que se chamava Josefa. Meu avô era pastor, não tinha nem mesmo uma vara de porcos, tinha umas oito ou dez porcas que depois pariam leitões que eles criavam e vendiam, e disso viviam ele e ela. As pocilgas ficavam ao lado da casa […]. No inverno, podia acontecer, e aconteceu vez ou outra, que alguns leitõezinhos, os mais fracos, porque as pocilgas ficavam do lado de fora, podiam morrer de frio. Então, os dois levavam esses leitõezinhos para a cama, e ali dormiam os dois velhos com dois ou três porquinhos, debaixo dos mesmos lençóis, para aquecê-los com seu calor humano. Este é um episódio autêntico.
Outro episódio. Levaram este meu avô, quando estava muito doente e muito mal, para Lisboa, para um hospital, onde depois veio a morrer. Antes de sabê-lo, em seus 72 anos, aquela figura que nunca esquecerei se dirigiu à horta, onde havia algumas árvores frutíferas e, abraçando-as uma a uma, se despediu delas chorando e agradecendo pelas frutas que tinham dado. Meu avô era um analfabeto total. Não estava se despedindo da única riqueza que tinha, porque aquilo não era riqueza, estava se despedindo da vida que elas eram e da qual ele não compartilharia mais. E chorava abraçado a elas porque intuía que não voltaria a vê-las. Essas duas histórias são mais do que suficientes para explicar tudo. A partir daí, as palavras sobram.”




“Há na obra de Pessoa um retrato bastante claro e completo do homem português, com as suas contradições, o misticismo um tanto mórbido que é o nosso, esta capacidade de esperar, que não é mais do que um desejo de adiar. A esperança é uma atitude ativa, mas nos portugueses é uma forma cômoda de projetar para um futuro cada vez mais distante o que deveríamos fazer agora.”




“Acho que a grande revolução, e o livro [Ensaio sobre a cegueira] fala disso, seria a revolução da bondade. Se nós, de um dia para o outro, nos descobríssemos bons, os problemas do mundo estavam resolvidos. Claro que isso nem é uma utopia, é um disparate. Mas a consciência de que isso não acontecerá não nos deve impedir, cada um consigo mesmo, de fazer tudo o que pode para reger-se por princípios éticos. Pelo menos a sua passagem por este mundo não terá sido inútil e, mesmo que não seja extremadamente útil, não terá sido perniciosa. Quando nós olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damos-nos conta de que há milhares e milhares de seres humanos que fizeram de sua vida uma sistemática ação perniciosa contra o resto da humanidade. Nem é preciso dar-lhes nomes.”




“Seria mais cômodo acreditar em Deus, mas escolhi o lugar da incomodidade.”




“Se o homem fosse imortal, não precisaria de Deus.”




“Deus é uma criação humana e, como muitas outras criações humanas, a certa altura toma o freio nos dentes e passa a condicionar os seres que criaram essa ideia.”




“As religiões, como as revoluções, devoram os seus filhos. Há nas religiões um contínuo processo de devoramento em que Deus é como um Moloch que necessitasse do sacrifício humano. Imaginando que Deus existe – e não lhe concedo o beneficio da dúvida –, Deus não pode, por boa lógica, criar seres para os destruir.”




“O Vaticano, como já não crê na existência da alma, se ocupa da repressão dos corpos.”




“As religiões nunca serviram para aproximar os seres humanos. As religiões serviram sempre para os dividir. A história de uma religião é sempre uma história do sofrimento que se inflige, que se autoinflige ou que se inflige aos seguidores de outra e qualquer religião. E isto parece-me de tal forma absurdo que creio mesmo que o lugar do absurdo por excelência é a religião.”




“Há uma coisa clara a levar em conta: eu não posso dizer em consciência que sou ateu, ninguém pode dizer, porque o ateu autêntico seria alguém que viveria numa sociedade onde nunca teria existido uma ideia de Deus, uma ideia de transcendência e, portanto, nem mesmo a palavra “ateu” existiria nesse idioma. Sem Deus, não poderia existir a palavra “ateu” nem a palavra “ateísmo”. Por isso digo que, em consciência, não posso dizer tal coisa. Mas Deus esta aí, portanto falo dele, não como uma obsessão.”




“Escrevi faz anos uma frase que deve ser entendida como eu a entendo, porque senão a conclusão seria exatamente o contrário do que é. Escrevi isto: “Deus é o silêncio do universo, e o homem é o grito que dá sentido a esse silêncio”. Se este planeta fosse habitado somente por animais, e poderia acontecer – quando os dinossauros existiam, o homem não estava aqui –, então não haveria ninguém para dizer: “Deus existe”. Chegou um momento em que alguém disse: “Existe Deus”, pelo fato de que temos de morrer, por essa esperança de que algo mais possa acontecer, de que algo que chamamos ou que passamos a chamar de espírito ou alma possa sobreviver. E, a partir daí, pode-se armar toda a construção teológica.”




“Quem mata em nome de Deus converte este num assassino.”




“Descobrir o outro é descobrir a si mesmo.”




“O homem é cruel sobretudo em relação ao homem, porque somos os únicos capazes de humilhar, de torturar, e o fazemos com algo que deveria estar contra isso, que é a razão humana. (….) Não se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a razão serve ao homem. O animal, para se alimentar, tem que matar outro animal. Mas nós não, nós matamos por prazer, por gosto.”




“O universo não tem notícia da nossa existência.”




“Nós, os seres humanos, matamos mais que a morte.”




“Muita gente me diz que sou pessimista; mas não é verdade, o mundo é que é péssimo.”




“O homem quando descobriu que era inteligente não aguentou o choque e enlouqueceu.”




“A morte é um grande negócio – nem sempre limpo.”




“Sabe-se que da morte não se pode rir muito, porque ela é que acaba rindo de nós. É melhor pensar que a morte não é uma entidade nem uma dama que esta aí fora a nos esperar, mas que esta dentro de nós, que cada um traz dentro de si e, quando o corpo e ela se põem de acordo, acabou-se.”




“A epígrafe do livro [A viagem do elefante], de um suposto Livro dos itinerários, diz: “Sempre chegamos aonde nos esperam”. E a pergunta é inevitável: a que isso se refere? E a resposta só pode ser uma: à morte. Sempre chegamos à morte, ali estão nos esperando.”




“A literatura é o resultado de um diálogo de alguém consigo mesmo.”




“As palavras trazem a sabedoria do vivido.”




“Que foi para mim, como autor, o 25 de Abril (a Revolução dos Cravos)? Em palavras mínimas: a possibilidade de ser autor livre. Ainda que, é tempo de o dizer, condicionado por todo o aparelho social, econômico e cultural burguês, que continua a impedir, por formas grosseiras ou hábeis, o exercício pleno dessa mesma liberdade.”




“Não faltam escritores que têm um exemplar empenhamento cívico e o transpõem para a sua obra, mas ao mesmo tempo parecem temer o novo. Por um lado desejam que a sociedade se transforme e, por outro, aceitam que os seus instrumentos de expressão e de trabalho se limitem a ser um prolongamento do passado.”




“Escrever é uma transfusão de sangue para o lado de fora.”




“Eu não acredito que se escreva por necessidade. Necessidade é comer e beber. Alguns levam tão longe o seu papel de escritores que dizem: se não escrever, morro. As pessoas têm a tentação de tornar as coisas mais interessantes, mais românticas. Criou-se a ideia do artista torturado, que finalmente não é um ser deste mundo. Um pouco raro, muito raro. Como se o artista e o escritor fossem uma espécie de deus condenado a criar.”




“A inspiração é só o esqueleto de uma ideia. O trabalho e a disciplina são o que formam o corpo desse esqueleto.”




“A imaginação nasce da relação dialética com os fatos que você esta vivendo e da capacidade que você tem de relacionar tudo isso com o seu próprio mundo interior. E, a partir de tudo isso, surge uma ideia. E é só isso. Porque o escritor não é um ser extraordinário que esta ali com a mão colocada na testa a esperar as fadas.”




“O que esta nos romances não é a minha vida, mas a pessoa que eu sou, o que é algo muito diferente.”




“Não escrevo por amor, mas por desassossego. Escrevo porque não gosto do mundo em que estou a viver”.




“A imaginação pode nos surpreender, claro que sim. Todos os que escrevemos sabemos que isso acontece e é o melhor que pode nos ocorrer. É quando nos surpreendemos conosco mesmo, quando algo em que, parecia que quatro palavras antes, não estávamos pensando e que, quatro palavras depois, aparece. Penso que há um processo que leva alguns a dizer com exagero que o livro se escreve a si mesmo. É claro que não, necessita das mãos, da cabeça, mas há algo… é que no fundo as palavras procuram umas às outras. Nenhuma palavra é poética, o que faz que a palavra se transforme em palavra poética é a outra palavra, a que estava antes, a que vem depois.”




“O que eu quero escrever liga-se aos fatos e aos homens passados, mas não em termos de arqueologia. O que eu quero é desenterrar homens vivos. A História soterrou milhões de homens vivos.”




“A realidade chega à mulher por outras vias que não a da razão. Como a do sentido da maternidade, ela dá-lhe outra dimensão, que o homem não pode ter.
Nós usamos as palavras, mas não sabemos a que correspondem. Eu falo de maternidade, mas o que é que um homem sabe da maternidade? Essa palavra só pode ser entendida quando dita por uma mulher-mãe, se eu a disser, não é a mesma coisa.”




“É a própria história que me leva, sem ter me preocupado antes com isso, a que sempre, em todos os meus romances, haja uma mulher forte. Por quê? Se calhar, é porque tenho a esperança de que, talvez um dia, a mulher assuma a sua responsabilidade total e não permita que continue a ser uma espécie de sombra do homem, presente apenas para cumprir o que o homem decidir; que ela mesma se afirme com a sua capacidade única, com a sua generosidade. A mulher sempre é mais generosa que o homem, e acontece que o mundo precisa de muita generosidade.”




“Sou cada vez menos proselitista. Vá cada um aonde possa pelos seus próprios meios: guias e gurus são más companhias.”




“O que quero dizer é que não vejo nenhum motivo para deixar de ser aquilo que sempre fui: alguém que esta convencido de que o mundo em que vivemos não vai bem; convencido de que a aspiração legítima e única que justifica a vida, ou seja, a felicidade do ser humano, esta sendo fraudada diariamente; e que a exploração do homem pelo homem continua a existir. Nós, seres humanos, não podemos aceitar as coisas tais como elas são, pois isso nos conduz diretamente ao suicídio. É preciso acreditar em algo e, sobretudo, é preciso ter um sentimento de responsabilidade coletiva, pelo qual cada um de nós é responsável por todos os outros. E isso eu não consigo ver no capitalismo.”




“Se o escritor tem algum papel, é o de incomodar.”




“A decadência, em todos os aspectos, da União Soviética se deveu à separação entre o partido e o povo.”




“Desde muito novo orientei-me para a consciência de que o mundo esta errado. Não importa aqui qual foi o grau da minha militância todos esses anos. O que importa é que o mundo estava errado, e eu queria fazer coisas para modificá-lo. O espaço ideológico e político em que eu esperava encontrar alguma coisa que confirmasse essa ideia era, é claro, a esquerda comunista. Para aí fui e aí estou. Sou aquilo que se pode chamar de comunista hormonal.”




“Quando digo que a democracia se suicida diariamente, perde espessura e se desgasta, diminuindo a sua densidade, estou a falar de um sentimento que nos afeta, a nós, cidadãos. Sentimos, e sofremos com isso, que não temos importância no modo como funciona a sociedade.”




“Na falsa democracia mundial, o cidadão esta à deriva, sem a oportunidade de intervir politicamente e mudar o mundo. Atualmente, somos seres impotentes diante de instituições democráticas das quais não conseguimos nem chegar perto.”




“O destino das revoluções é se transformarem no seu oposto. As revoluções acabam sendo sempre traídas, por uma razão muito simples: por causa da renúncia dos cidadãos a participarem […]. A doença mortal das democracias é a renúncia do cidadão à participação. Os principais responsáveis somos nós mesmos, quando delegamos o poder a outra pessoa, que, a partir desse momento, passa a controlá-lo e a usá-lo.”




“Ao poder, a primeira coisa que se diz é “não”. Não por ser um “não”, mas porque o poder tem de ser permanentemente vigiado. O poder tem sempre tendência para abusar, para exorbitar.”




“Nós, homens, não obtivemos a democracia, mas uma ilusão dela. É preciso dizer isso em voz alta, e seria bom que todos nós o disséssemos, em coro; não é possível continuar falando de democracia em um mundo onde o poder que realmente governa, o poder financeiro, não é democrático. Tudo o mais são miragens mais ou menos reais – os parlamentos, os governos –, mas o poder, em última instância, o poder que decide e determina os nossos destinos não é um poder democrático.”




“O que temos chamado de “poder político” converteu-se em mero “comissário político” do poder econômico.”




“Não estou me colocando contra a democracia em si, mas contra a democracia-armadilha, como instrumento do capitalismo, em que as próprias vítimas se transformam em cúmplices, seja pelo silêncio, seja pela renúncia à participação.”




“Vivemos uma situação em que na democracia, que, segundo a velha definição, é o governo do povo, para o povo e pelo povo, esta ausente justamente o povo.”




“O grande problema do nosso sistema democrático é que ele permite fazer coisas nada democráticas democraticamente.”




“Aristóteles definiu que em um sistema democrático o Parlamento deveria ser composto por uma maioria de pobres e uma minoria de ricos. Hoje, penso que Aristóteles foi uma espécie de precursor do humor negro.”




“[Os indígenas de Chiapas] sobrevivem alimentando-se de sua própria dignidade. Enfrentam a guerra com esse estoicismo que tanto me impressionou, um estoicismo quase sobre-humano que não aprenderam na universidade, que construíram durante séculos de humilhação. Sofreram como ninguém, e preservam aquela força interior, uma força que se expressa no olhar… O olhar daquele menino cuja vida foi destruída para sempre… é uma coisa que jamais desaparecerá de minha memória… Os olhares sérios, severos e retraídos das mulheres e dos homens… são algo que paira acima de tudo. Os indígenas não têm nada, mas são tudo. Como é possível que, depois de tanto sofrimento, esse mundo indígena ainda mantenha a esperança? Como consegue sorrir esse homem de Polhó que acaba de nos dizer: “Pode ser que amanhã nos matem a todos nós, mas, bem, ainda estamos aqui”?. É algo que não consigo entender.”




“Se temos consciência mas não a utilizamos para nos aproximar do sofrimento, de que ela nos serve?”




“Embora eu seja dotado de alguma imaginação, não consigo ver um aimará do Peru, um totzil do México, um mapuche do Chile ou um afrodescendente de Angola colocando um xis em uma cédula identificando-se como ibero-americano, negando, assim, o seu passado, seus mortos e as vergonhosas humilhações de todo tipo que ainda se produzem. Assim como as carnificinas que ocorrem seguidamente. Não se pode pedir isso a um ser humano.”




“Sou um europeu cético que aprendeu todo seu ceticismo com uma professora chamada Europa”.




“Não é só o pensamento correto. Agora tudo esta se transformando em correto. É preciso se comportar segundo normas que ninguém sabe quem definiu. Eu reivindico a diferença, mas estamos nos tornando cada vez mais iguais, no pior sentido, no sentido menos criativo e menos contestador, perdendo, assim, a capacidade de debater. Apesar de me sentir inserido na cultura europeia, não gosto do fato de a Europa estar se transformando em um império. Começo a desconfiar que tudo é igual, e me parece surpreendente que não nos demos conta de que, nessa Europa, dá na mesma que os governos sejam socialistas ou conservadores, ou, amanhã, até mesmo neofascistas. Enquanto isso acontece, as perguntas – por quê, como e para quê –, que deveriam estar todos os dias na boca dos cidadãos, não estão.”




“Não são os políticos os que governam o mundo. Os lugares de poder, além de serem supranacionais, multinacionais, são invisíveis.”




“Pedem os nossos votos apenas para homologar uma porção de coisas, de cujas definições não participamos. Pedem-nos apenas os votos, e não que participemos. E a cada quatro anos comparecemos para votar, felizes, acreditando que estamos fazendo algo muito importante, mas o que é realmente importante já aconteceu no intervalo desses quatro anos.”




“O Holocausto é a grande e constante autojustificativa dos israelitas. Consideram que, por pior que possam fazer hoje a quem quer que seja, nada poderia ser comparado ao que eles sofreram. Em sua consciência patológica de povo escolhido, acreditam que o horror que sofreram os exime de culpa ao longo de séculos e séculos. Não dão a ninguém o direito de julgá-los, pois eles foram torturados, gaseados e incinerados.
Além disso, querem, ao mesmo tempo, que todos nós nos sintamos corresponsáveis pelo Holocausto e que expiemos a nossa suposta culpa aceitando sem retrucar tudo o que eles fazem ou deixam de fazer. Tornaram-se os especuladores do Holocausto, mas a verdade é que nem nós temos nenhuma culpa por aquela barbárie nem eles podem falar em nome das vítimas daquele horror.”




“Dois horrores impedem que os judeus se olhem no espelho: o de Auschwitz e o de sua própria consciência hoje.”




“Os judeus saíram do gueto, felizmente. Sofreram durante séculos perseguições de todo tipo. E agora, em vez de respeitar o sofrimento de seus antepassados, não fazendo outros sofrerem o que eles sofreram, repetem os mesmos excessos, os mesmos crimes, os mesmos abusos de que foram vítimas.”




“O juiz Antonio Di Pietro disse um ano atrás [2002] que na Itália a corrupção política chegara ao fim. Como assim?, perguntaram-lhe. E ele explicou de forma muito clara: o poder econômico precisava corromper os políticos para que estes fizessem o que ele queria. Mas isso agora acabou, porque o poder econômico ocupou o poder político. Portanto, já não tem necessidade de corromper ninguém. Ele é o poder.”




“O poder tem destas coisas, vira os políticos como se eles fossem uma peúga. A primeira viragem chama-se pragmatismo, a segunda oportunismo, a Terceira conformismo. A partir daqui, o melhor é deixar de contar.”




“Quando um político mente, ataca a base da democracia.”




“No fundo, a globalização é um totalitarismo soft, quer dizer, promete de tudo, nos vende a sua felicidade e cria necessidades que não tínhamos antes. É uma forma de domínio político, mas os cidadãos não se dão conta disso ou não encontram uma forma de reagir.”




“Espero o dia em que serão levados diante de um Tribunal Internacional os políticos e os militares de Israel responsáveis pelo genocídio do qual o povo palestino tem sido vítima nos últimos sessenta anos. Pois, como escrevi há alguns meses, “enquanto houver um palestino vivo, continuará o holocausto”.”




“A direita nunca deixou de ser direita, mas a esquerda deixou de ser esquerda. A explicação pode parecer simplista, mas é a única que contempla todos os aspectos da questão. Para ser participantes mais ou menos tolerados nos jogos de poder, os partidos de esquerda correram todos para o centro, onde se encontraram inevitavelmente com uma direita política e econômica já instalada que não precisava se camuflar de centro. Entrou-se então na farsa carnavalesca de denominações caricaturais, como centro-esquerda ou centro-direita.”




“Os Estados Unidos são realmente odiados por uma parte do mundo e objeto de desconfiança e receio de outra. Ganharam tudo à força com suas torpezas e arbitrariedades, com sua soberba e sua insolência, com suas mentiras e seus abusos, com o seu quero tudo e mando em tudo. E agora se queixam. É preciso ser muito hipócrita.”




“O sindicalismo esta domesticado, e essa foi a grande operação do sistema capitalista: a domesticação. E ao mesmo tempo nos dizem que somos livres – isso é o mais cruel.”




“O pior é que esta se formando um sistema no qual as pequenas coisas são as que ocupam mais espaços, a informação e a preocupação das pessoas. Os grandes temas aparecem diluídos, por trás, e nunca os vemos.”




“Há um problema no mundo que é o problema da informação, que estão controlando a informação. Hoje as palavras mais construtivas, as mais limpas que se pode pronunciar às vezes não chegam a parte alguma, porque a mídia se encarrega de fazer com que isso aconteça.”




“Há sempre uma relação perversa nesse trinômio Estado-empresa-jornal. Pode-se dizer que, a rigor, já não existem jornais: o que há são empresas jornalísticas.”




“Não é raro que os meios de comunicação social alimentem o pior que a sociedade manifesta.”




“O jornalismo contribui para formar a realidade que lhe convém, dar a imagem que lhe convém. Os dados que nos faltam aos cidadãos são tantos que as pessoas tendem a desinteressar-se do esforço para compreender o mundo em que vivem.”




“Para mim, é muito claro que, entre os direitos humanos de que se fala tanto, existe um que não pode ser esquecido: o direito à heresia, a escolher outras coisas.”




“A globalização econômica é compatível com os direitos humanos? Temos de nos colocar essa pergunta e verificar que a resposta é que ou existe globalização ou existem direitos humanos, por mais que os poderes tenham a hipocrisia de dizer que a globalização favorece os direitos humanos, quando o que ela faz é fabricar excluídos. A globalização é simplesmente uma nova forma de totalitarismo, que não precisa chegar sempre vestindo uma camisa azul, marrom ou preta e com o braço em riste; o totalitarismo tem muitas faces, e a globalização é uma delas. Para reverter a situação, seria preciso voltar a Marx e a Engels, embora seja quase politicamente incorreto se referir a esses cadáveres da história quando a ideologia parece que morreu.”




“O intelectual não pode estar com o poder.”




“Não me parece que o fato de eu ser como sou possa ser uma causa direta de um conflito com alguém que é outro. Se eu reconheço o outro como outro, tenho, por motivos éticos, de respeitá-lo, e então não haveria nenhum conflito. Porque quando aquilo que chamamos de identidade se transforma em agressividade, não é por culpa da diferença, mas sim da necessidade de poder. Se me torno agressivo em relação ao outro na afirmação da minha identidade, não é por sermos diferentes, mas sim porque quero exercer o meu poder sobre ele.”




“Falar de democracia, neste contexto, é uma perda de tempo. Esta democracia é uma ilusão. A cidadania esta anestesiada, o consumismo é a nova ideologia.”




“O que se pergunta é que tipo de vida nós queremos. O único lugar público seguro que existe é o centro comercial, como antes eram o parque, a rua, a praça. Não sou saudosista, mas para entender o presente é preciso falar do passado. O centro comercial é a nova catedral e a nova universidade: ocupa o espaço da formação da mentalidade humana. Os centros comerciais são um símbolo. Nada tenho contra eles. Sou contra, sim, uma forma de ser, um espírito quase autista de consumidores obcecados pela posse de coisas. É espantosa a quantidade de coisas inúteis que se fabricam e se vendem, e o Natal é uma ocasião maravilhosa para comprovar isso.”




“Sempre achei que, além da antropofagia direta, existe uma outra forma de devorar o próximo: a exploração do homem pelo homem. Neste sentido, a história da humanidade é a história da antropofagia.”




“Os governos ocidentais reservam a classificação de terrorista para os atos de violência indiscriminada realizados por ativistas que não agem enquadrados por uma organização estatal e se negam a reconhecer a existência do terrorismo de Estado. Aproveitam-se do fato de que o terrorismo puro não pretende se esconder – ao contrário, se esforça ao máximo para que a sociedade saiba de sua existência –, enquanto o terrorismo de Estado faz todo o possível para se tornar “invisível”, porque é tanto mais eficaz quanto mais despercebido passa.”




“Começa a se forjar uma maneira de ver o mundo que é definida por três vetores muito claros: a neutralidade, o medo e a resignação.”




“Não nos incomoda viver no meio do lixo quando saímos para a rua perfumados.”




“O que as pessoas não conseguiram, e alguma razão têm, foi vencer o medo de perder o emprego. E o resultado é a neutralização do espírito de militância que durante gerações caracterizou a classe operária.”

Postado por Doney Stinguel à

domingo, 24 de agosto de 2014

CINCO DIAS PARA CONQUISTAR MULHERES

ZERO HORA 22/08/2014 | 21h12

O mestre da sedução. Especialista em sedução dá 5 dicas para conquistar mulheres. Fernando Fenix já treinou mais de dois mil homens no Brasil

por Felipe Martini


Fernando Fenix ensina técnicas de abordagem e linguagem corporalFoto: Felipe Martini / Agência RBS


O carioca Fernando Fenix largou a atividade de promoter de baladas no Rio de Janeiro para se tornar professor de uma arte muito conhecida, mas pouco dominada: a da sedução. Fernando comanda a filial brasileira da escola PUA Training, aberta em 2007 por Richard Gambler em Londres, na Inglaterra.

– Apesar de namorar algumas mulheres, sempre fui tímido. Decidi mudar isso e mergulhei no mundo da sedução. Li muitos livros e fui em diversos seminários. Até que conheci o Richard e firmamos essa parceria – conta.

Em Porto Alegre, mais de 200 homens já passaram pelo curso. Além do site, Fenix também possui um canal no YouTube, para esmiuçar dicas de conquista. A pedido de ZH, o professor deu cinco dicas para se aperfeiçoar na arte da sedução e se diferenciar dos homens não iniciados. As dicas, assim como o curso, são voltadas para homens heterossexuais.

1. Não hesite: para um homem, nada é mais frustrante do que trocar olhares com uma mulher e não ter coragem de abordá-la. É preciso tomar atitude e ter iniciativa. Iniciar uma conversa para conhecer melhor a pessoa. Não tenha medo.

2. Cuidado com a linguagem corporal: na balada, evite ficar com as mãos no bolso, com os braços cruzados ou grudado de costas para a parede. É preciso ter uma atitude positiva, uma postura relaxada e, quando conversar com uma mulher, é importante gesticular. Isso prende a atenção e desperta curiosidade nas mulheres que estão a sua volta.

3. Evite questionários e assuntos negativos: na hora de dialogar com uma mulher, é aconselhável explorar pontos da fala dela para criar linhas de conversação e gerar vínculo. Não concorde com tudo que ela falar para não entrar na friendzone. A mulher aprecia um homem de opinião e ponto de vista.

4. Repare nos detalhes: mulheres ouvem elogios sobre sua aparência o tempo todo. É preciso reparar nos detalhes e valorizá-los. As mulheres apreciam isso.

5. Encurte a distância e faça contato físico: não adianta o papo estar bom se não tiver o contato físico. Enquanto conversa, tente pegar na mão dela, mexer em seu cabelo. Se ela se sentir à vontade, tente abraçá-la. O beijo deve ser o ápice.


http://puatraining.com.br/


Conheça o curso que transforma homens em sedutores. Workshop ensina homens comuns a se tornarem mestres na arte da conquista


Curso de sedução ensina técnicas de abordagem e linguagem corporalFoto: Bruno Alencastro / Agencia RBS


Às 19h de uma sexta-feira nublada de novembro de 2013, o Bootcamp (treinamento intensivo de sedução) começa por uma apresentação informal. No centro de convenções de um hotel no Centro da Capital, um tímido gordinho de olhos azuis confessa:

– Não sou antissocial, mas tenho muita dificuldade de me relacionar com mulheres.

Em seguida, um moreno, baixo, de mais ou menos 30 anos e com sotaque interiorano pede a palavra.

– Fui militar durante quatro anos, o sistema recluso e a convivência diária com homens me deixou travado para abordar mulheres. Tive um namoro frustrado e agora que estou solteiro e quero aproveitar essa fase – diz.

Um a um, os sete alunos, vindos de diferentes partes do Rio Grande do Sul, se apresentaram. Em comum, além da recente retirada de cerca de R$ 1,2 mil da conta bancária, um objetivo: aprender a seduzir mulheres.

O Bootcamp é um dos cursos oferecidos pela PUA Training, uma empresa que oferece serviços de coaching e consultoria de imagem para homens heterossexuais, com sede em Londres desde 2007. A filial brasileira começou no início de 2011, trazida pelo empresário carioca Fernando Fenix. As técnicas ensinadas se baseiam no livro ”A arte natural da sedução” , da Editora Sextantede, escrito por Richard La Ruina, artista da sedução e fundador da sede britânica. As inscrições podem ser feitas através do site.

Em Porto Alegre, o workshop é ministrado por ex-alunos de Fenix, o estudante de Engenharia Rafael Antunes e pelo professor de Educação Física Ricardo Silva. O curso dura três dias e se divide em aulas teóricas e práticas. Primeiro, os participantes conversam sobre quais são os seus problemas e recebem dicas dos instrutores para melhorar suas habilidades sociais. Depois, nos chamados games, põem à prova os ensinamentos.

Os instrutores começaram o curso, expondo questões referentes à linguagem corporal, abordagem e características do macho alfa.

– O macho alfa precisa ter confiança, senso de liderança e uma linguagem corporal relaxada e empática – explica Ricardo.

– O importante na hora de abordar uma mulher é não ter medo de rejeição. É aconselhável não criar barreiras, não idealizar o momento perfeito. É preciso agir – complementa Rafael.

Após mais de 3 horas de explicação e conversa, o grupo partiu para o primeiro teste prático, também chamado de night game. Numa famosa balada sertaneja da Capital, os pupilos da sedução tinham um objetivo claro dado pelos instrutores. A missão daquela noite não era sair beijando toda a festa mas, sim, "abrir sets", ou seja, incluir-se no grupo feminino onde está o alvo, a menina desejada.

Muitos dos aprendizes sofreram de AA (ansiedade de aproximação). Após muitas tentativas e abordagens, a meta foi cumprida. Todos os alunos abordaram o número de mulheres estipulado pela meta.

2° dia

O começo do segundo dia serviu para avaliar a performance dos aprendizes. Guilherme*, estudante universitário, comentou a experiência:

– Sou tímido e meu peso sempre esteve ligado à minha autoestima. O desafio prático me mostrou que isso é uma crença limitante. Eu nunca tinha chegado em ninguém numa balada e ontem consegui abordar cinco. No início fiquei ansioso mas depois relaxei e curti.

Após os feedbacks, os instrutores deram dicas de abordagem para o chamado Day Game (abordagem diurna). Segundo os especialistas, as técnicas são diferentes, o nervosismo para abordar mulheres à luz do dia é normal e o approach tem que parecer espontâneo e despretensioso. Após a aula teórica, os alunos foram levados ao Parque Farroupilha com uma meta clara: aproximar-se de três mulheres e conseguir seus telefones ou seus perfis de Facebook. Após algumas horas, todos os estudantes voltaram sorridentes e com suas agendas mais recheadas.

No sábado à noite, todos retornaram ao hotel para mais aulas teóricas, onde foram exploradas técnicas de conversação, como gerar atração e como usar o toque.

– O toque tem que ser feito de forma escalada. Primeiro pegar na mão ou mexer no cabelo dela, depois abraça-la para só então tentar o beijo. Ela precisa se sentir a vontade com esse contato físico para relaxar e criar intimidade – explica o instrutor.

Após a aula, a parte prática foi numa balada eletrônica da Capital. O ex-militar Alexandre*, mais relaxado que na noite anterior, aplicou as dicas e prosperou:

– Consegui ficar com uma menina e pegar mais dois telefones. O meu crescimento pessoal foi absurdo – afirmou.

3° dia

O último dia de Bootcamp começou com uma reunião num grande shopping da Capital. Os alunos tiveram que se aperfeiçoar nas abordagens diurnas. Guilherme estava desmotivado. Apesar de perder o medo de conversar com pessoas do sexo oposto, não tinha conseguido sequer pegar um telefone no final de semana. Após uma volta para "mapear o terreno", ele vira eufórico pra mim e diz:

– Uma guria olhou pra mim e sorriu. Foi antes de subir a escada rolante – me avisou

– Então desce e vá falar com ela – aconselhei.

– Mas ela está sentada numa mesa com a mãe e com a irmã – ponderou.

Após algumas palavras de encorajamento e motivação, Guilherme tomou coragem e foi de peito aberto falar com a morena de semblante tímido, com quem tinha trocado olhares. Assisti a cena incrédulo. Após abordar a menina, ela o convidou para sentar, sorriu e ao final deu seu telefone. Como se tivesse ganho uma Copa do Mundo, o estudante veio eufórico me mostrar o troféu conquistado.

– Consegui. Consegui. Nunca tinha sentido algo assim. Estou muito feliz comigo mesmo – gaguejou em êxtase.

Após o exercício, os instrutores deram um feedback de cada um no curso. Os alunos se mostraram satisfeitos com o resultado e alguns até afirmaram que aquele final de semana tinha mudado suas vidas.

– É uma mudança gradativa. Sou outro homem, mais confiante e comunicativo. Descobri que muitos medos que eu tinha eram infundados e por isso o curso valeu a pena – concluiu Alexandre.


*Os nomes verdadeiros dos alunos foram trocados para preservar os entrevistados.

sábado, 9 de agosto de 2014

VIVER EM MIAMI

REVISTA ISTO É N° Edição: 2333 | 08.Ago.14


Cada vez mais brasileiros vivem na capital do sol e das compras. Saiba quem são eles e o que é preciso fazer para realizar esse sonho

Chris Delboni, de Miami, e Mariana Queiroz Barboza 






Foi com poucas malas e o sonho de experimentar a vida nos Estados Unidos que a empresária Ana Paula Mariutti, 45 anos, o marido, Alexandre, 46, e os filhos Thomas, 15, e Lucas, 13, desembarcaram no Aeroporto de Miami, na Flórida, no domingo 3. Sócia de duas escolas bilíngues em São Paulo, Ana Paula já estava acostumada a passar as férias na cidade ao menos uma vez por ano. Encantou-se tanto com o lugar que decidiu ficar em definitivo por lá. Os Mariutti vão morar em North Miami Beach, um paraíso a menos de dois quilômetros da praia, e assim se juntam aos 250 mil brasileiros que atualmente vivem na Flórida. A maioria deles, em Miami e arredores, como Fort Lauderlade e Boca Raton. “Sou atraída pelo estilo de vida americano, mas queria um lugar próximo de nossa realidade cultural”, diz Ana Paula. Não é recente o interesse dos brasileiros pela região. A novidade é que o fenômeno agora conhece um terceiro – e mais marcante – ciclo. Primeiro houve a invasão dos turistas, em meados da década de 1990. Depois, no final dos anos 2000, muitos deles descobriram que era vantajoso comprar um imóvel na cidade. Além de o custo ser inferior a similares vendidos no Brasil e da perspectiva de valorização do investimento, parecia ser um jeito de manter uma ligação com a cidade. Agora, nessa terceira fase, as pessoas simplesmente querem ficar – talvez para sempre.



Qual é a mágica de Miami que seduz tanta gente? Não são poucos os seus atributos. A cidade é daquelas raras que combinam beleza natural com vasta oferta de serviços. São 24 quilômetros de praias de areia branca e mar azul de frente para o Caribe. Mas isso pode ser encontrado em outros lugares. A diferença da capital do sol nos Estados Unidos é todo o resto que ela proporciona. Para quem gosta de ir às compras, talvez não exista melhor destino no mundo. Para os padrões brasileiros, seus preços são baixíssimos. Roupas, eletrônicos, computadores, itens de decoração, cosméticos, artigos para bebês, tudo custa bem menos. Quase sempre, metade do valor praticado no Brasil. Às vezes, um terço. Não é só. Em Miami, os serviços públicos funcionam. Os parques são bem cuidados. Os pedestres são respeitados no trânsito. Se a pessoa mora numa região central, dá para fazer tudo a pé ou de bicicleta. A sensação de segurança permite que se caminhe à noite, de frente para o mar, sem o pavor típico experimentado por quem vive em uma grande cidade brasileira. As escolas públicas são boas. Faz calor boa parte do ano. E Miami é perto de tudo. Até do Brasil. Para São Paulo, são oito horas de voo. Nova York, menos de três. Havana, a capital cubana, 40 minutos.



A maior deficiência de Miami, e que rendia críticas severas mundo afora, era sua irrelevância cultural. Mas isso está mudando. Se não é uma Paris ou uma Nova York, a região caminha para se tornar um centro cosmopolita. E parte dessa transformação se deve à extensa comunidade latina. Antes vista com certo preconceito, agora ela se insere na sociedade americana pela via mais nobre, a da arte e da cultura. Há seis meses, o antigo Miami Art Museum foi renomeado Pérez Art Museum, depois de um aporte de US$ 40 milhões do bilionário cubano-americano Jorge Pérez. Há muito mais. No inverno, a cidade respira cultura com a realização do Art Basel, reconhecido como um dos mais importantes eventos de arte contemporânea do mundo. Inspirado por essas transformações, o jornal britânico “The Guardian” classificou Miami como “a cidade mais excitante dos Estados Unidos”, um elogio e tanto vindo de uma das publicações mais sisudas da Europa. “Às vezes, Miami parece estar seguindo a fórmula de Londres: especulação imobiliária + arte contemporânea + boom de restaurantes + diversidade cultural = cidade global dinâmica”, escreveu o crítico de arquitetura Rowan Moore, em artigo recente.





Uma comprovação definitiva dessa tendência é o Design District, região que concentra grifes como Cartier, Louis Vuitton e Louboutin e que, nos últimos anos, ganhou novas galerias, estúdios e antiquários. Perto dali, o bairro de Wynwood fez de suas ruas uma grande galeria de arte alternativa, ao exibir grafites do mundo inteiro, inclusive do Brasil, presente com os desenhos dos Gêmeos. O País desempenha um papel relevante no amadurecimento cultural da cidade. Com uma galeria na Lincoln Road, em Miami Beach, o pernambucano Romero Britto foi um dos primeiros brasileiros a se instalar na região e a fazer sucesso entre americanos e latinos. Neste exato momento, a arte brasileira está em destaque na região. Até setembro, na Galeria Richard Shack do ArtCenter/South Florida, está aberta à visitação uma exposição da escultora e pintora paulista Laura Vinci. “Quando vim para cá de vez, não havia uma ligação relevante da cidade com a arte e a cultura”, afirma Paulo Bacchi, dono da loja de móveis de luxo Artefacto, com três endereços na Flórida e 11 no Brasil. Bacchi trocou São Paulo pelos Estados Unidos em 2002. Fez tanto sucesso por lá que se tornou líder no segmento de móveis de luxo na cidade. “Hoje, Miami é cosmopolita.”





A presença maciça de brasileiros tem forte impacto na Miami que surgiu nos últimos anos. Graças a eles, os restaurantes começaram a ficar abertos até mais tarde, como acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro. Por causa do Brasil, muitas lojas estimulam seus funcionários a aprender algumas palavras em português. Em 2013, 755 mil turistas brasileiros desembarcaram em Miami, segundo o órgão oficial de turismo da cidade – um avanço de 9,5% em relação ao ano anterior e de quase 20% sobre 2011. Na Flórida como um todo, que abriga os parques da Disney em Orlando, os brasileiros correspondem ao maior contingente de turistas estrangeiros, com 1,8 milhão de visitantes no ano passado e um desembolso total de R$ 5,7 bilhões no período. Isso provocou um aumento nos investimentos das companhias aéreas, interessadas na demanda cada vez maior. Até o fim do ano, a Azul deve inaugurar uma rota já utilizada pela Gol que liga Campinas, no interior de São Paulo, a Fort Lauderdale, a cerca de 40 quilômetros de Miami, com tarifas promocionais a partir de US$ 600. A American Airlines, que realiza voos diretos partindo de várias capitais do País, planeja fazer a mesma rota em breve.



No mundo dos negócios, os brasileiros provocaram uma revolução, especialmente no setor imobiliário. O movimento começou depois que a crise econômica de 2008 derrubou o preço dos imóveis no mercado americano. Atraídas pela ideia de pagar menos por uma casa de veraneio em Miami do que por uma propriedade no Rio ou em São Paulo, muitas pessoas começaram a procurar apartamentos para investir. Não por acaso, os brasileiros se tornaram o terceiro maior grupo de compradores de imóveis em Miami e arredores. “A procura é tanta que, nos próximos dois anos, eles devem liderar esse ranking”, afirma Claudia Murad, sócia da Unique Living Miami – Exit Realty Brickell. Para atender à crescente demanda, os serviços das corretoras se estenderam a recepção nos aeroportos, reserva de restaurantes, aluguel de carros e barcos e ao cuidado das casas enquanto os proprietários estão fora do país. No segmento de luxo, os brasileiros também representam fatia importante. Projetado pela arquiteta pop star Zaha Hadid, o One Thousand Museum, que tem apartamentos cotados entre US$ 5 milhões e US$ 15 milhões, já vendeu 28% de suas unidades a brasileiros, mais até do que para americanos.


REQUISITADO
O artista plástico pernambucano Romero Britto foi um dos primeiros
brasileiros a se instalar em Miami e fazer sucesso entre os americanos

Há dez anos, a imobiliária Elite International Realty recebia dois pedidos por mês de brasileiros interessados em se mudar para o sul da Flórida. Hoje são duas consultas por dia – e de pessoas que não querem baixar o padrão que têm no Brasil. Dona de uma casa de cinco suítes em Miami Beach, usada há três anos como refúgio da família em feriados prolongados, Cristiane Quitete Nogueira, 44 anos, quer se mudar de vez em 2015 com o marido, o empresário aposentado Marco Antônio Gomes Nogueira, 56, e a filha mais nova do casal, Antônia, 5. “Vou em busca de mais qualidade de vida e segurança”, afirma. A questão da segurança é um fator importante na escolha de muitas pessoas. A psicóloga Taluana Cabral, 35 anos, considerou três episódios de violência urbana sofridos por sua família em Santos para que decidisse pela mudança. “Vivia em estado de alerta”, diz. “Em Miami, tenho outro estilo de vida. Matriculei meus filhos numa escola pública de Key Biscayne e faço quase tudo a pé.”





Outro atrativo para os brasileiros é o dinamismo típico da sociedade americana. Ao contrário do que acontece no Brasil, montar um negócio nos Estados Unidos requer pouca burocracia. Para abrir uma empresa no ramo de logística, com instalações físicas e alvará de funcionamento, o empresário Junior Amaral, 46 anos, precisou de apenas um mês em Miami. Em São Paulo, chegou a esperar um ano e meio apenas por uma licença da prefeitura. Os brasileiros também estão descobrindo que obter um visto de permanência é menos complicado do que se imagina. Ainda que só a compra de um imóvel não garanta nenhum direito especial, empreendedores dispostos a investir a partir de US$ 500 mil num negócio que gere emprego a americanos ou residentes permanentes legais conseguem um visto de imigrante que, na maioria dos casos, se estende ao cônjuge e aos filhos menores de 21 anos. As licenças de moradia para não imigrantes são boas opções para os estrangeiros que ambicionam fazer um período de experiência nos Estados Unidos. Nesses casos, basta aos interessados se matricular em universidades e outras instituições de ensino, inclusive escolas de idiomas. Nunca foi tão fácil morar em Miami. Será que está chegando a sua vez?








domingo, 3 de agosto de 2014

ACORDO ENTRE INQUILINO E IMOBILIÁRIA


ZERO HORA 03 de agosto de 2014 | N° 17879


Justiça é a opção se não há acordo entre o inquilino e a imobiliária



Casos em que não há entendimento podem parar na Justiça. Como a Lei do Inquilinato não prevê uma parte hipossuficiente – mais fraca, com menos força na negociação –, a exemplo do Código do Consumidor, a disputa pode se arrastar por anos, e é difícil prever qual será o lado vencedor. É de praxe que a imobiliária represente o proprietário no processo.

Uma disputa judicial tirou o sono do bioquímico Éder Petry por dois anos. Inquilino de uma casa no IAPI, em Porto Alegre, conta que, ao entregar o imóvel, a imobiliária pediu que a pintura fosse refeita em uma área de infiltração.

– A tinta era fresca, e a infiltração havia causado um desgaste. A imobiliária pediu para eu chamar um pintor indicado por ela. Me neguei, e levei o caso à Justiça – afirma o bioquímico.

Na primeira instância, ele ganhou a disputa, mas a empresa recorreu e acabou vitoriosa. A nova pintura custou o equivalente a três meses de aluguel. Contratos mal terminados podem trazer problemas ao locatário. Enquanto não forem feitas as reformas pedidas, o aluguel pode continuar sendo cobrado. Em caso de não pagamento, o antigo inquilino pode parar em cadastros de inadimplentes. O contrato só é encerrado quando a imobiliária recebe as chaves, e o proprietário assina um recibo atestando que não há ônus.

– A melhor alternativa é buscar diálogo com a imobiliária e contar com o bom senso de todas as partes – afirma Leandro Hilbk, vice- presidente do Secovi.


O QUE O PROPRIETÁRIO PODE (E O QUE NÃO PODE) EXIGIR

Conforme a Lei do Inquilinato, a obrigação de quem aluga é devolver o imóvel nas mesmas condições em que recebeu no início do contrato. Veja questões que estão previstas na legislação e como proceder

CABE AO INQUILINO
-Fazer a pintura das paredes com tinta da mesma cor e qualidade da original, tapando furos de pregos ou parafusos, por exemplo.
-Entregar o imóvel com a estrutura de uso preservada (maçanetas, torneiras e interruptores) – afinal, é esperado que o locatário faça a manutenção regular do imóvel.
-Desfazer benfeitorias que tenham sido construídas no imóvel, como uma abertura interna, se isso for exigido pelo proprietário.
-Quitar todas as contas referentes ao imóvel até o final do contrato, como IPTU, luz, água e condomínio, assim como cancelar serviços de telefonia e internet e solicitar o desligamento da luz.

NÃO CABE AO INQUILINO
-Recuperar a infraestrutura do imóvel que esteja desgastada pela ação do tempo, como fiação falha, problemas de encanamento (o que inclui infiltrações) ou rachaduras na estrutura que não tenham sido causados pelo uso durante o contrato.
-Substituir partes enferrujadas na janela ou no portão da garagem, que já estavam no imóvel antes de sua chegada, assim como estruturas de madeira afetadas pela ação de cupins.
-Contratar empresas ou profissionais autônomos indicados pela imobiliária para efetuar os reparos exigidos no momento da devolução do imóvel.

QUESTÕES CONTRADITÓRIAS QUE DEPENDEM DE NEGOCIAÇÃO
-Consertar equipamentos que foram danificados com o tempo, como a estrutura de gás para esquentar água do chuveiro e centrais de cerca elétrica.
-Danos que podem ter ocorrido antes da chegada do inquilino, mas não constaram no laudo de vistoria, como portas lascadas e azulejos descolados.
-Deixar móveis embutidos, armários aéreos ou outros móveis acoplados pelo inquilino no imóvel durante o contrato.

O QUE FAZER PARA MELHOR A RELAÇÃO
-Peça sempre uma vistoria no início do contrato de aluguel e mantenha uma cópia. Registre exatamente como o imóvel se encontra, incluindo riscos em pisos e paredes, azulejos com problemas ou vidros trincados.
-Anexe à vistoria fotografias que mostrem o estado de móveis, portas, abertura de janelas e piso.
-Mantenha os comprovantes de todas as contas que digam respeito ao imóvel, como aluguel, IPTU e condomínio.
-Antes de fazer alguma modificação na estrutura do imóvel, peça permissão ao proprietário, através da imobiliária.
-Ao terminar o contrato de locação, solicite à imobiliária um termo de quitação que mostre que não há qualquer pendência.

USO PROLONGADO DO PC PREJUDICA OS OLHOS

ZERO HORA 03 de agosto de 2014 | N° 17879

CAMILA NUNES

SAÚDE. Uso prolongado do PC prejudica os olhos


MÉDICOS RECOMENDAM CUIDADOS para aliviar sintomas como fadiga visual e ressecamento



Passar horas e horas em frente ao computador pode ser inevitável para algumas pessoas. Por isso, tomar algumas precauções para preservar a saúde é altamente recomendado por médicos.

Um dos males mais frequentes sentido por quem fica muito tempo em frente a uma tela é a chamada Síndrome do Usuário de Computador – uma conjunção de fatores provocada pelo excesso de contato do olho com o monitor. A luz emitida pela tela causa fadiga visual, ou seja, sensação de cansaço nos olhos e dores de cabeça. Segundo o oftalmologista do Banco de Olhos de Porto Alegre Fernando Kronbauer, isso ocorre porque esses equipamentos eletrônicos são fontes de luminosidade, diferentemente da leitura em um livro, onde a luz ambiente é apenas refletida pelo objeto.

Outro sintoma é a diminuição da frequência com que piscamos. Mas por que piscar é tão importante? Porque esse ato ajuda na lubrificação dos olhos – quanto menos se pisca, maior a irritação, a ardência e a vermelhidão. O ar-condicionado também pode ser um inimigo para os olhos: como retira a umidade do ar, em excesso também contribui para o ressecamento e o desconforto.