sábado, 13 de julho de 2013

UM PINGADO E A SENHA DO WI-FI

ZERO HORA 13/07/2013 | 13h01

Porto-alegrenses aderem à tendência mundial de transformar bares e cafés em escritório

Estabelecimentos se adequam para receber quem troca o escritório por reuniões em ambiente mais descontraído



Na companhia do laptop e de um café expresso, Henrique Testa faz de uma das mesas do Baden Cafés Especiais o seu escritório. O costume veio da temporada que passou em São Paulo.Foto: Diego Vara / Agencia RBS


Tatiana Tavares, especial


Imagine um lugar com uma mesa ampla, uma cadeira confortável. Se você erguer a mão, aproxima-se um rapaz simpático perguntando o que você deseja. Você pede um café, talvez um sanduíche. Um pingado para começar, melhor. Afinal, ainda não chegou a hora do almoço. Você pede a senha do wi-fi. Seu café chega minutos depois, e junto uma bolachinha e um copo de água daqueles pequenininhos. Na trilha sonora, Beatles. Ou Feist. No centro da mesa, um vaso pequeno de flores. Naturais, claro. Onde estou? No meu escritório, ou pelo menos no lugar que costumo fazer de meu escritório, o meu café office.

Um movimento comum em países da Europa e nos Estados Unidos e que já se estabeleceu há tempos na capital paulista ganha força em Porto Alegre: o de profissionais se deslocando para cafés com seus laptops em busca de um latte e uma rede wi-fi. São pessoas que, como essa que vos escreve, optaram por abrir seu próprio negócio e que por muitas razões - quase todas econômicas - decidiram não montar um escritório formal. Fazem suas casas de escritório e, muitas vezes, acomodam-se em cafés com seus aparatos de trabalho.

Mas, ao contrário do que os muito tradicionais podem pensar, a lógica de ir a cafés aqui não é estender a "hora do cafezinho" para bater um papo com os amigos, mas buscar um ambiente agradável para trabalhar. E, claro, tomar um bom café.

Henrique Gregionin Testa acredita que trabalhar em um café reúne aquilo que você precisa fazer, sua atividade profissional, e aquilo que você sente prazer, mas que está mais ligado ao lazer do que ao trabalho, ou seja, tomar um bom café e relaxar em um lugar diferente.

— Num lugar como um café, você trabalha e curte ao mesmo tempo. É diferente de ir para um escritório e tomar aquele café passado só para ficar acordado – diz Henrique.

Profissional da área de Tecnologia da Informação, Henrique montou a empresa Amize, especializada em CRM (ferramenta de controle da gestão de clientes), quando ainda morava em São Paulo. Foi na capital paulista que ele criou o hábito de transformar cafés em ambientes de trabalho.

— Eu conhecia muitos cafés em São Paulo. Costumava ir ao Santo Grão. Lá, a fileira do canto era só de notebooks – conta ele.

Morador da Cidade Baixa, em Porto Alegre, Henrique procura, pela comodidade, lugares aos quais possa ir a pé. Mas adora saber de novos lugares - ele anotou todos os que eu listei na nossa conversa.

— O que percebo é que quando eu me adapto a algum lugar, quando gosto de trabalhar em um café, outras pessoas também gostam. E o motivo, claro, é porque aquele lugar atende ao que as pessoas estão procurando – conta ele.

Henrique adotou o hábito de chegar por volta das 15h no café escolhido para passar aquela tarde - o preferido é o Baden Cafés Especiais, no bairro Santana - e ficar até por volta das 17h30min. Durante essas duas horas e meia, toma um café, pede algo para comer. E trabalha, trabalha muito.

— As pessoas que trabalham na minha área, de TI, estão cada vez mais fazendo isso remotamente, o que proporciona essa possibilidade de trabalhar em casa e em lugares como os cafés – diz ele.

Quem já tem longa experiência tanto em cafés quanto em trabalhar remotamente é o pessoal do Destemperados. Lela Zaniol, Diogo Carvalho e Diego Fabris são os fundadores e cabeças pensantes da produtora de conteúdo gastronômico multiplataforma. Em 2007, quando começaram, trabalhavam em suas casas e em cafés. E foi assim até 2011, quando montaram um escritório. O motivo: a equipe cresceu com a contratação de funcionários. Mas o hábito continua: as reuniões são feitas em cafés e, de vez em quando, eles também optam por passar algumas horas trabalhando em um ambiente diferente. Um dos mais frequentados por eles é um lugar que marcou o início do trabalho do trio: a Barbarella Bakery, no Moinhos de Vento.

— Trabalhar em um ambiente como um café é inspirador, faz girar a criatividade - diz Diogo.

— É bom poder escolher um astral diferente, uma vista nova, como essa aqui da janela da Barbarella - opina Diego.

— A Barbarella abre cedo, e isso é ótimo para fazer reuniões pela manhã - completa Lela.

Outro ponto positivo que Diego vê é fazer networking, conhecer pessoas, abrir oportunidades de negócios.

— Você mesmo, está nos entrevistando porque estava aqui, e a Ana, dona da Barbarella, comentou que a gente costuma se reunir aqui - comenta Lela.

É bem como Lela diz: trabalhar em um ambiente público e agradável faz com que pessoas que não teriam como se conhecer acabem se cruzando e, quem sabe até, façam trabalhos juntas. Porque é preciso dizer a verdade: o home office tem um quê de solitário. Telefones não tocam o tempo todo como em um escritório formal, o que dá mais espaço para concentração. Por outro lado, a falta do zum zum zum dos colegas à volta pode fazer o dia de trabalho menos divertido. Por isso, as estratégicas escapadas para um café são também momentos para ver gente, trocar ideias, conviver socialmente e abrir novas possibilidades de trabalho.

E tomar um bom café.

Todos que fazem de algum café o seu escritório são unânimes ao dizer: o lugar precisa ter um bom café. Outros itens de primeira necessidade: wi-fi, ambiente agradável, mesa ampla, cadeira confortável.

— Sabe aquelas cadeiras que você senta e tudo bem se ficar só10 minutos? Não dá. Tem que ser uma cadeira realmente confortável, porque você vai ficar sentado por um longo tempo - enfatiza Diogo.

(Enquanto Diogo fala me vêm à mente aquelas cadeiras de palha, com cantos mais altos do que o assento.)

— Se você ficar em um lugar por mais tempo é que saberá se ele é bom ou não - diz Diego.

E é verdade. Conforme as horas vão passando é que você vê se o wi-fi não cai o tempo todo, se o atendente não vai começar a te olhar torto só porque já faz mais de uma hora que você está sentado, sozinho, no mesmo lugar, se o segundo café é tão bom como o primeiro, se a cadeira não te deixa com dor nas costas e só um relaxante muscular salva.

Agora, se o lugar passa no teste, ele pode virar a sua segunda casa, quer dizer, o seu segundo escritório.

Um segredo no bairro Santana

Numa esquina da Rua Jerônimo de Ornelas está um lugar que reúne café gourmet, mesa ampla, tomadas mil, wi-fi veloz e atendimento carinhoso. É o Baden Cafés Especiais (Baden é o nome do cachorro yorkshire da família. Como um lugar que tem o nome do cachorro dos donos não vai ser apaixonante, hein?)

Pensado para ser um ambiente work friendly, ou seja, acolhedor com aqueles que tiram laptops de suas mochilas e se espalham pelas mesas, passando horas a fio trabalhando e tomando um café, uma água e outro café, o Baden abriu suas portas em abril de 2012, no coração do bairro Santana, em Porto Alegre. Desde então, vem fidelizando clientes com as confortáveis poltronas e a grande mesa, fora, claro, a rede wi-fi.

O proprietário, Guert Schinke, conta que montar um café sempre foi o sonho de sua mãe, Margaret Dorneles. Depois do curso de barista que Guert fez em 2011, a ideia da família começou a tomar corpo e eles abriram o negócio. Os cafés são especiais: Guert diz que nunca pretenderam oferecer cafés básicos, apenas os gourmet. O dono sabe, no entanto, que os clientes adotaram o Baden não só pela bebida, mas também pelo ambiente.

— Montamos o Baden pensando nas pessoas que querem um lugar para se reunir, para trabalhar. Pensamos nas tomadas, na rede wi-fi, na estrutura do banheiro, na distância entre as mesas. Pesquisamos muito como deveriam ser as cadeiras, por exemplo - conta Guert.

As horas que uma pessoa passa no Baden trabalhando não preocupam Guert. Primeiro, porque os clientes costumam consumir ao mesmo tempo em que curtem o ambiente. E, segundo, porque valoriza o lugar, tornando-o ainda mais convidativo.

— Temos uma ótima relação com nossos clientes. Eles me chamam de "o pai do Pedrinho" - conta Guert, referindo-se ao filho Pedro, de um ano.

BADEN CAFÉS ESPECIAIS

Av. Jerônimo de Ornelas, 431, Santana. Tel. (51) 3209-7427

Horário de funcionamento: segunda a sexta-feira, das 11h30min às 20h30min, e sábados, das 14h às 20h.

Um expresso e um negócio fechado

Instalado na Rua Padre Chagas, o Z Café atrai, durante o dia, principalmente pessoas que trabalham nos arredores do bairro Moinhos de Vento. Muitas delas, apesar de terem seus próprios escritórios, escolhem o Z para reuniões de trabalho. O ambiente agradável e sofisticado e o bom café se unem ao visual cosmopolita da rua, tornando o local perfeito para fechar negócios.

— O perfil business apareceu no Z no momento em que começamos a ter uma internet melhor, há cerca de três anos - conta o proprietário, Carlo Zanette.

Desde então, Carlo diz que o Z foi se adaptando a esse público. Os atendentes, por exemplo, são instruídos a não interromper pessoas que estejam trabalhando ou falando ao telefone, mas se mostrarem à disposição.

— Os novos hábitos criam um novo tipo de cliente, e os lugares têm que se adaptar a eles. É isso o que está acontecendo agora - conclui Carlo.

Z CAFÉ

Rua Padre Chagas, 314, Moinhos de Vento. Tel. (51) 3029-6088

Horário de funcionamento: segundas, das 11h30min às 16h, terça a domingo, das 11h30min às 2h.

Cultura pop e um pão delicioso

Quando Ana Zita abriu a Barbarella Bakery, em 2002, a ideia era trazer para o novo lugar o conceito de "home", ou seja, fazer da Barbarella uma extensão de casa para os clientes, um lugar aconchegante, prazeroso de se estar. Para que esses clientes adotassem o local como café office não precisou muito.

— O "feels like home" (sentir-se em casa) levou ao home office - analisa Ana.

E é assim, com essa mistura de se sentir em casa e de adotar um outro lugar aconchegante como escritório que leva os clientes a abrirem seus laptops nas mesas do segundo andar da Barbarella. Um confortável sofá de um lado, mesas do outro e tomadas por todas as paredes são mensagens de boas vindas naquele espaço. O atendimento também está preparado para este tipo de cliente: a orientação é não insistir com o pedido. Você chega, acomoda-se em uma mesa, abre o laptop, liga-o na tomada. O atendente chega e pergunta:

— Você deseja pedir alguma coisa?

(E não o incisivo e seco "O que você vai querer?")

É claro que o cliente quer pedir alguma coisa, porque o ambiente é convidativo a um café, a um sanduíche, a um croissant. O conceito de cultura pop do lugar e a trilha sonora rock'n'roll se unem ao cheiro de pão recém saído do forno e criam um ambiente de leveza para o trabalho. Fora, claro, a vista que se tem da rua e de suas árvores a partir das janelas da Barbarella.

— Quando subo as escadas aqui da Barbarella e vejo aquela galera trabalhando, com seus computadores, parece que estou em uma redação e penso: "Que legal!" - fala Ana.

BARBARELLA BAKERY

Rua Dinarte Ribeiro,1, Moinhos de Vento. Tel. (51) 3346-7164

Horário de funcionamento: segunda a sábado, das 7h15min às 23h, e domingos, das 10h às 20h.

Os Destemperados dão a dica

Para Lela Zaniol, Diogo Carvalho e Diego Fabris, estes são os bons lugares para se acomodar e trabalhar em Porto Alegre:

Barbarella Bakery - Uma boa opção para qualquer clima e momento. Abre cedo e tem o cheirinho de pão que é infalível. (Rua Dinarte Ribeiro, 56, Moinhos de Vento).

Le Bistrot Gourmet - É um dos ambientes mais inspiradores para passar uma tarde inteira. No inverno, o sofá perto da lareira é imbatível. (Rua 14 de Julho, esquina com Alameda Alipio César, Praça Japão, Boa Vista).

Press Café da Fundação Iberê Camargo - A vista é daquelas que não cansa nunca, e o café é um dos melhores da cidade. (Av. Padre Cacique, 2.000, Cristal).

Vinum - Um dos ambientes mais reservados e confortáveis para se fazer reunião. A opção de vinho em taça é uma ótima pedida para os finais de tarde. (Rua Marquês do Herval, 52, Moinhos de Vento).

Press Café Hilário - Superbem localizado e com doces deliciosos, é um lugar excelente para aumentar a rede de contatos. (Rua Hilário Ribeiro, 281, Moinhos de Vento).


DONNA ZH

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A IMPLOSÃO DA MENTIRA



Affonso Romano de Sant'Anna




Fragmento 1


Mentiram-me. Mentiram-me ontem

e hoje mentem novamente. Mentem

de corpo e alma, completamente.

E mentem de maneira tão pungente

que acho que mentem sinceramente




Mentem, sobretudo, impune/mente.

Não mentem tristes. Alegremente

mentem. Mentem tão nacional/mente

que acham que mentindo história afora

vão enganar a morte eterna/mente.




Este poema, que foi enviado ao Releituras pelo autor, foi publicado em diversos jornais em 1980. Apesar do tempo decorrido, face aos acontecimentos políticos que vimos assistindo nesses últimos tempos, ele permanece atualíssimo.


Mandada pelo Cel Jose Aparecida de Castro Macedo

domingo, 16 de junho de 2013

sábado, 15 de junho de 2013

MEDINDO AS RIQUEZAS DO SER HUMANO!



Armando Fuentes Aguirre (Catón)


Fabuloso texto escrito por Catón, jornalista mexicano.


“Tenho a intenção de processar a revista "Fortune", porque fui vítima de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo, e nesta lista eu não apareço. Aparecem: o sultão de Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro. 

Incluem personalidades como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Niarkos Stavros, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga.

Mas eu não sou mencionado na revista. E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não? vou mostrar a vocês:


Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê, e saúde, que conservo não sei como.

Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me deu o melhor para a minha; filhos maravilhosos, dos quais só recebi felicidades; e netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade.

Eu tenho irmãos que são como meus amigos, e amigos que são como meus irmãos.
Tenho pessoas que sinceramente me amam, apesar dos meus defeitos, e a quem amo apesar dos meus defeitos.

Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes porque eles lêem o que eu mal escrevo.

Eu tenho uma casa, e nela muitos livros (minha esposa iria dizer que tenho muitos livros e entre eles uma casa). Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim, que todo ano me dá maçãs e que iria reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso. Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue, e que me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.

Eu tenho olhos que vêem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros, mas que para mim não haviam ocorrido nunca.

Eu sou a herança comum dos homens: alegrias para apreciá-las e compaixão para irmanar-me aos irmãos que estão sofrendo.

E eu tenho fé em Deus que vale para mim amor infinito.
Pode haver riquezas maiores do que a minha?
Por que, então, a revista "Fortune" não me colocou na lista dos homens mais ricos do planeta? "
E você, como se considera? Rico ou pobre? 

Há pessoas pobres, mas tão pobres que a única coisa que possuem é... DINHEIRO.



Texto mandando pelo Cel RR da Brigada Militar Jose Aparecida de Castro Macedo







sexta-feira, 7 de junho de 2013

DYNAMO MAGICIAN

Dynamo Magician NEW Compilation NEW 2012


Gastão Gal7 de Junho de 2013 19:04
Para descontrair neste final de semana e ficarem impressionados, considero este um dos maiores mágicos dos últimos tempos. Nome dele Dynamo.




http://www.youtube.com/watch?v=FNSSIighLXI

quinta-feira, 30 de maio de 2013

PORTO ALEGRE: PARA CADA RITMO, UMA CASA

ZERO HORA, SEGUNDO CADERNO - 30/05/2013 | 19h56


Noite de Porto Alegre ganha novas casas dedicadas a samba, sertanejo e música instrumental
Vidigal Samba House é uma das opções para quem gosta de dançar



A Vidigal Samba House está de olho no público de classe média que não abre mão do conforto
Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

GUSTAVO BRIGATTI


Desde a semana passada, os apreciadores de samba, jazz, tango, música erudita e sertaneja ganharam novos endereços para frequentar em Porto Alegre.

Seguindo uma tendência que vem se consolidando, a sertaneja Wood's, a sambista Vidigal e o piano bar Luzes da Ribalta abriram suas portas para ampliar o leque de casas temáticas na Capital.

Nos últimos anos, novas casas temáticas foram inauguradas na cidade, como a Farm's (som sertanejo), Café Fon Fon (jazz) e o Graffiti Bar (rock). Esse processo de segmentação, na análise do DJ, radialista e produtor cultural Claudinho Pereira, não vem de agora, é inevitável e tem forte eco social. Segundo ele, Porto Alegre sempre foi receptiva às festas temáticas (basta lembrar da já tradicional Balonê), um apreço que se materializou em casas especializadas, quase sempre seguindo a moda da vez: nos anos 1970, foram as discotecas; nos 1980, as casas de rock; nos 1990, o eletrônico.

– Apesar de hoje não existir mais o predomínio de um gênero, há uma divisão maior de tribos. É natural que abram mais lugares para atender a essa demanda – opina Pereira.

A Vidigal Samba House, por exemplo, ajuda a derrubar o mito de que gaúcho não gosta do mais brasileiro dos ritmos. Instalada em uma área nobre da Capital, a casa está de olho no público que quer curtir o samba no pé com conforto e sofisticação. (A Vidigal Samba House não abrirá as portas nesta sexta e neste sábado. O local está fechado para adequações acústicas e deve reabrir nos dias 7 e 8 de junho.)

– Porto Alegre sempre gostou de samba, é só ver a quantidade de bares de samba rock na Cidade Baixa, o sucesso dos botecos com ares cariocas e o Carnaval de rua. O que faltava era algo mais para a classe média-alta – analisa Renato Dorneles, jornalista e colunista do Diário Gaúcho que acompanha de perto o cenário do samba na Capital.

Um dos proprietários da Vidigal, Fernando Puhlmann concorda que a casa pode suprir uma lacuna em Porto Alegre. Os planos são de consolidar primeiro as noites de sexta e sábado e, mais adiante, abrir também aos domingos e às terças.

– Queremos atrair quem gosta de samba, mas também quem gosta de se divertir. Queremos ser um espaço onde as pessoas se permitam, por isso não optamos por luxo, mas por descontração.

VIDIGAL SAMBA HOUSE

Ambiente: Com dois andares, a Vidigal oferece pista de dança, dois bares e camarotes no mezanino.

O que toca: Samba, samba rock, samba house e clássicos do pop rock em ritmo de samba, com banda ao vivo.

Público: festeiros na faixa dos 25 aos 40 anos, que gostam de um ambiente colorido e animado por samba e suas vertentes.

Sob medida para... quem gosta de dançar. Mas ideal para quem está a fim de pegação.

Segurança: com capacidade para 378 pessoas, a casa conta com duas rotas de fuga para cada pavimento, sinalização de saída em LED, presença de um bombeiro in loco e sete extintores de incêndio sinalizados.

Programe-se: A Vidigal fica na Rua Castro Alves, 825 (fone 51 9146-9331) e oferece serviço de manobrista para estacionar os carros nas imediações. Aceita pagamento em dinheiro e cartão (Visa e Master). A casa abre sexta e sábado, a partir das 23h, e a entrada custa R$ 40 (mulher) e R$ 60 (homem).

Preste atenção: A Vidigal Samba House não abrirá as portas nesta sexta e neste sábado. O local está fechado para adequações acústicas e deve reabrir nos dias 7 e 8 de junho.

Roteiro para quem curte samba e MPB


Banda da Saldanha

> Samba e pagode ao vivo, com diversos músicos da Capital. Funciona às sextas, das 19h às 23h45min; aos sábados, das 16h às 23h; domingo, das 15h às 22h; e segunda, das 19h às 23h30min.

> Na Av. Padre Cacique, 1.355 (fone 51 9114-5812). Não tem estacionamento. Aceita pagamento somente em dinheiro.

Bar do Nito

> Às terças-feiras, Guilherme Bulla toca repertório de MPB e pop rock; às quartas, quintas e sábados, é a vez de Nito tocar MPB (no sábado, acompanhado de Álvaro); às sextas, toca a banda Seu Samba. Funciona de terça a sábado, das 18h às 2h. Na primeira segunda-feira de cada mês, ocorre o Sarau Erótico. O bar abre às 18h30min; o sarau funciona das 20h30min às 23h.

> Na Av. Cel. Lucas de Oliveira, 105 (fone 51 3333-6221). Não tem estacionamento. Aceita pagamento em dinheiro e cartão (Visa, Master e Banricompras).

Boteco Dona Neusa

> A música ao vivo é de segunda a sábado, a partir das 20h30min. Mas o bar está aberto todos os dias, exceto domingos, entre as 17h30min e as 1h30min. Várias bandas de samba se revezam durante a semana: Santo Remédio, Casarão do Samba, Sambeaba, Mistura de Bambas, Contratempo, Samba de Ilê.

> Na Rua General Lima e Silva, 806 (fone 51 3013-8700). Não tem estacionamento. Aceita pagamento em dinheiro e cartão (Visa, Master, Banri, Amex, Diners).

Matita Perê

> MPB e samba ao vivo, de terças a sábados, com bandas diferentes. Às quartas-feiras, tem roda de samba de raiz, com Gunter Vieira e convidados. Funciona de terças a quintas-feiras, das 19h à meia-noite; às sextas, das 19h à 1h, e aos sábados, das 20h à 1h.

> Na Rua João Alfredo, 626 (fone 51 3372-4749). Não tem estacionamento. Aceita pagamento em dinheiro e cartão (Visa, Master, Amex e Banricompras).

Paraphernália

> Às terças, são apresentados trabalhos autorais de MPB; às quartas, toca a banda Samba e Amor; às quintas, ocorre o projeto Noite Fora do Eixo, com músicas autorais de rock brasileiro; às sextas e aos sábados, revezam-se as bandas Tribo Brasil, Mariposas, Quinteto Paraphernália e Pente Fino. Funciona de terças a sábados, das 19h30min às 2h.

> Na Rua João Alfredo, 425 (fone 51 3221-5225), com estacionamento privado em frente à casa. Aceita pagamento em dinheiro e cartão (Visa e Master).


Na onda do sertanejo, rede de casas noturnas Wood's chega a Porto Alegre. Casa aposta em programação musical focada no sertanejo, mas acessível para todos os gostos


Independente do que toca pelos falantes, o objetivo da maioria do público parece ser mesmo o beijo na boca. Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Gustavo Brigatti

Rede de casas noturnas presente em sete cidades do país e em vias de abrir as portas em outras cinco, a Wood's acaba de chegar a Porto Alegre. Em um gigantesco pavilhão no DC Navegantes, o novo point traz a mesma proposta já consagrada em outras praças: atrair gente que gosta de festa, e não necessariamente de música sertaneja.

– Até porque o sertanejo, hoje, é uma mistura de tudo, tem arrocha, axé, eletrônico, pagode, não é mais um gênero puro. E os artistas que tocam na Wood's vão nessa linha, dando ao público o que ele deseja – explica Charles Bonissoni, sócio fundador da Wood's.

De fato, pouco importa que tipo de música está sendo executada, uma vez que o objetivo da maioria do público parece ser mesmo o de beijar na boca. O flerte rola o tempo todo e em todos os espaços, da fila que se forma do lado de fora, passando pelos corredores, até o balcão do bar – de onde não param de sair baldes de gelo com garrafas de vodca Ciroc, cervejas, energéticos e espumantes importados.

Nos camarotes, garçons e fardos de bebidas já ficam disponíveis para os convidados não precisarem sair dos seus espaços.

Para Bonissoni, o diferencial da Wood's é oferecer, além de uma boa estrutura, os artistas mais populares do meio sertanejo – tarefa que não é das mais difíceis, uma vez que entre os sócios do grupo que controla a casa estão a dupla Fernando e Sorocaba e o cantor Michel Teló.

– Quem vai na Wood's sabe que encontrará uma balada de qualidade, seja na música, seja no público – garante Bonissoni.

WOOD'S

Ambiente: a Wood's conta com dois andares, ambos com pista de dança, camarotes e bares.
O que toca: o forte é o sertanejo, mas os artistas mesclam outros estilos.
Público: gente entre 21 e 45 anos que gosta de dançar agarradinho.
Sob medida para... quem está solto na noite para pegação.
Segurança: com capacidade para mil pessoas, a casa conta com 16 saídas de emergência, cinco escadas de saída de emergência, três pontos duplos de hidrantes, 13 extintores, 15 faroletes de luzes de emergência, indicadores luminosos e oito brigadistas de incêndio.
Programe-se: a Wood's fica na Rua Beirute, 45, no DC Shopping (fones 3084-6606 e 9406-6339) e oferece serviço de manobrista para estacionar os carros nas imediações. Aceita pagamento em dinheiro e cartão. A casa abre às sextas e aos sábados, às 23h. Os ingressos para pista custam R$ 35 (mulher) e R$ 50 (homem). Mesas e camarotes variam de R$ 600 a R$ 2 mil de acordo com a localização.

Mais sertanejo na Capital

Farms

> Casa noturna com shows de diversas bandas sertanejas e DJs com música eletrônica tocando nos intervalos. Funciona às quintas e aos sábados, a partir das 23h.
> No terraço do Shopping Total, na Av. Cristóvão Colombo, 545 (fones 51 3084-0100 e 51 9187-635), de segunda a sexta, das 9h às 18h, ou pelo e-mail contato@farmsbar.com.br). O estacionamento do shopping pode ser utilizado. Aceita pagamento em dinheiro e cartão (Visa e Master).


Piano bar Luzes da Ribalta serve aos fãs de jazz, tango, música brasileira e erudita. No palco, novos nomes da noite da Capital se revezam com músicos consagrados


Informalidade e nostalgia compõem a atmosfera do piano bar Luzes da RibaltaFoto: Félix Zucco / Agencia RBS

Gustavo Brigatti

Nas paredes, pôsteres de filmes que evocam a Hollywood clássica de Charles Chaplin e Marilyn Monroe dão as boas-vindas aos visitantes. Ao fundo, um piano bem posicionado ecoa standards do jazz, do tango, da música brasileira e erudita. No Luzes da Ribalta, piano bar recém-aberto no centro de Porto Alegre, a nostalgia dá o tom.

E a ideia é bem essa: receber gente que aprecia um tipo de música que não se escuta em qualquer lugar. Para executá-la, novos nomes da noite da Capital se revezam no palco com músicos consagrados, como Carlitos Magallanes, Jorginho do Trompete e Wladimir Lattuada.

– Queríamos algo cult, com músicos de primeira linha que tocassem um repertório à altura, com jazz de Nova Orleans, clássicos de Gardel e Piazzolla e até música erudita – explica o sócio proprietário Eduardo Sudbrack, que reformou o próprio porão para instalar a casa.

Simples e confortável, o Luzes recebe sua audiência com iluminação baixa e indireta, sofás, cadeiras e mesas espalhadas por três ambientes e um cardápio com destilados, cervejas e comida caseira. Paulo Pinheiro, pianista e outro sócio proprietário da casa, diz que o clima de informalidade se refletirá nas performances musicais:

– Nada impede que outros colegas músicos apareçam e deem uma palhinha ou toquem em conjunto com a atração oficial da noite. O negócio é tocar, fazer música – afirma.

LUZES DA RIBALTA

Ambiente: a casa tem um único ambiente, que é informalmente dividido entre bar, salão e palco – em todos é possível ouvir a música.
O que toca: MPB, jazz e tango, com músicos da velha guarda e da nova geração da noite porto-alegrense.
Público: casais acima dos 40 anos e apreciadores de música boa.
Sob medida para... quem gosta de ver e ouvir clássicos da MPB, jazz e tango ao vivo e num ambiente familiar.
Segurança: pequena, com capacidade para 45 pessoas, o Luzes da Ribalta conta com extintores de incêndio e sinalização de saída em LED em todos os ambientes.
Programe-se: o Luzes da Ribalta fica na Avenida Alberto Bins, 774 (fones 3391-7372 e 8574-3956), possui segurança na portaria até o último cliente. Aceita pagamento em dinheiro e cartão (todos). A casa abre de quarta a sábado, a partir das 20h, e a entrada custa R$ 15.

Roteiro para os fãs de jazz

Café Fon Fon

> Às quintas, apresentam-se bandas de choro, MPB, bossa nova e outros. Às sextas e aos sábados, o Quarteto Fon Fon toca jazz. Os shows começam sempre às 21h30min.
> Na Rua Vieira de Castro, 22 (fones 51 9308-0285 e 51 9148-3089). Sem estacionamento. Aceita todos os cartões de débito, exceto Banricompras.

Odeon

> Às terças, há show de tango com Dionara Schneider (piano) e Rafael Kohller (bandoneom); às quartas, jazz com Tonda Pecoits (piano) e Dinho Oliveira (guitarra); às quintas, MPB com o trompetista Luiz Fernando Rocha e Dionara Schneider; às sextas, jazz com Luis Mauro Filho (piano) e Claudio Sander (sax); aos sábados, bandas de jazz.
> Na Rua Andrade Neves, 81 (fone 51 3224-5752). Aceita pagamento em dinheiro e cheque. Possui convênio com a Garagem Andrade Neves, ao lado.

Six Champanharia

> Às terças, jazz com integrantes da banda Sopro Cósmico; às quintas, a Marmota Jazz; às sextas, shows de MPB. Funciona de terça a sexta, das 19h à meia-noite.
> Na Duque de Caxias, 613 (fones 51 3093-2664 e 9961-5601), sem estacionamento. Pagamento em dinheiro e cartão (Visa e Mastercard).